<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?>
<rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">
  <channel>
    <title>LOW←TECH MAGAZINE Português</title>
    <link>https://qelnixcor.cloud/pt/authors/kris-de-decker/</link>
    <description>Este site é movido a energia solar, o que significa que, às vezes, ele fica fora do ar.</description>
    <generator>Hugo 0.111.3</generator>
    <language>pt</language>
    <lastBuildDate>Thu, 03 Oct 2024 00:00:00 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://qelnixcor.cloud/pt/authors/kris-de-decker/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml" />
    <item>
      <title>Podemos tornar a bicicleta de novo sustentável?</title>
      <link>https://qelnixcor.cloud/pt/2024/10/can-we-make-bicycles-sustainable-again/</link>
      
      <enclosure url="https://qelnixcor.cloud/pt/2024/10/can-we-make-bicycles-sustainable-again/images/dithers/immagenwebblancoynegro_dithered.png" type="image/png" length="34264" ></enclosure>
      <pubDate>Thu, 03 Oct 2024 00:00:00 +0000</pubDate>
      
      <guid>https://qelnixcor.cloud/pt/2024/10/can-we-make-bicycles-sustainable-again/</guid>
      <description>&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2024/10/can-we-make-bicycles-sustainable-again/images/dithers/immagenwebblancoynegro_dithered.png&#34; alt=&#39;Imagem: Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Imagem: [Diego Marmolejo](https://www.instagram.com/ddidak/). 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;h2 id=&#34;andar-de-bicicleta-é-sustentável-mas-quão-sustentável-é-uma-bicicleta&#34;&gt;Andar de bicicleta é sustentável, mas quão sustentável é uma bicicleta?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Andar de bicicleta é uma das formas mais sustentáveis de transporte. O aumento do seu uso, leva à redução do consumo de combustíveis fósseis e a poluição a eles associada, poupa espaço e melhora a qualidade da saúde e a segurança pública. No entanto, a  bicicleta, enquanto objeto, tem conseguido escapar à crítica ambientalista. &lt;sup id=&#34;fnref:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Estudos que calculam o impacto ambiental do uso da bicicleta como forma de mobilidade comparam-na, na maioria das vezes, com o uso do automóvel, atingindo resultados que são expectáveis: a bicicleta é mais sustentável que o automóvel. Um tal estudo leva, por um lado, ao encorajamento do uso da bicicleta como alternativa de mobilidade mas, por outro lado, não encoraja os fabricantes a fabricar as suas bicicletas da forma mais sustentável possível.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para este artigo, consultei estudos académicos que, ou fazem uma análise comparativa entre diversos tipos de bicicleta ou se focam no processo de fabricação de um modelo de “duas-rodas”. Este tipo de pesquisa era praticamente inexistente até há pouco mais de três ou quatro anos. Fazendo uso do material disponível, comparei diversas gerações de bicicletas. Atendendo ao contexto histórico, torna-se claro que os recursos necessários para a fabricação de uma bicicleta aumentaram, enquanto que o seu tempo de vida diminuiu, tendo como resultado o aumento da pegada ecológica. Esta tendência tem um começo bastante claro. A bicicleta evoluiu muito lentamente até o o início dos anos 80, atravessando de seguida uma rápida sucessão de mudanças, algo que pode ser ainda observado nos dias de hoje.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não existem quaisquer estudos sobre bicicletas construídas antes de 1980. As análises do seu ciclo de vida, que investiga o uso de recursos desde o ”berço” até à “cova”, apenas surgiram nos anos 90. No entanto, o ponto de referência para a bicicleta sustentável encontra-se diante mim, no quarto de onde escrevo estas palavras. Refiro-me à minha bicicleta de estrada Gazelle Champion de 1980 - agora com 43 anos de vida. Comprei-a há cerca de 10 anos em Barcelona, a um tipo alto Alemão que estava de partida e que se despediu dela emocionado. Tenho uma segunda bicicleta, a Mercier de 1978.  Esta é a minha bicicleta sobresselente, na eventualidade da primeira se danificar e não tenha tempo de a reparar de imediato. Tenho mais duas bicicletas de estrada estacionadas na Bélgica, onde cresci e onde volto algumas vezes por ano (&lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2013/12/high-speed-trains-are-killing-the-european-railway-network/&#34;&gt;de comboio&lt;/a&gt;, não de bicicleta). São elas a &lt;em&gt;Plume Vainqueur&lt;/em&gt; do final dos anos 60 e a &lt;em&gt;Ventura&lt;/em&gt; dos anos 70.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A principal razão que me levou a optar por bicicletas mais antigas foi o simples facto de que elas são bastante melhores que as atuais. Como a maioria das pessoas não se apercebe disso, acabam também por ser mais baratas. As minhas quatro bicicletas custaram-me ao todo à volta de 500 euros. Este valor apenas seria suficiente para comprar uma bicicleta de estrada low-cost e essa não iria decerto durar 40 a 50 anos - como veremos mais à frente. É claro que não são apenas melhores as bicicletas de estrada antigas. O mesmo se aplica a outros tipos de bicicletas fabricadas até aos anos 80. Eu uso bicicletas de estrada, porque normalmente percorro longas distâncias, normalmente entre os 35 e os 50 km.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2024/10/can-we-make-bicycles-sustainable-again/images/dithers/P2200860_dithered.png&#34; alt=&#39;Imagem: A bicicleta que eu uso com mais frequência, a Gazelle Champion de 1980. Ela já percorreu pelo menos 30.000km desde que a comprei em 2013.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Imagem: A bicicleta que eu uso com mais frequência, a Gazelle Champion de 1980. Ela já percorreu pelo menos 30.000km desde que a comprei em 2013.  
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;h2 id=&#34;de-que-são-feitas-as-bicicletas&#34;&gt;De que são feitas as bicicletas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A primeira mudança significativa na indústria de fabricação de bicicletas foi a substituição dos materiais usados na sua construção, passando do aço para o alumínio. Antes de 1980, praticamente todas as bicicletas eram fabricadas em aço. A armação era em aço, assim como as rodas, os componentes e as restantes partes.  Hoje em dia, a maioria das armações e rodas das bicicletas são fabricadas em alumínio. O mesmo se pode observar noutros elementos da bicicleta. Recentemente, um número cada vez mais elevado de bicicletas apresenta uma armação e rodas fabricadas em compostos de fibra de carbono. Algumas armações são fabricadas em titânio ou aço inoxidável. Todos estes materiais requerem muito mais energia quando comparado com a mesma produção feita em aço. Para além disso, enquanto que o aço e o alumínio podem ser reciclados e reparados, os compostos em fibra podem apenas ser downcycled e apresentam um reduzido grau de reparabilidade. &lt;sup id=&#34;fnref:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há bastantes estudos onde se verifica uma análise comparativa dos custos energéticos e emissões de carbono na produção de várias armações da bicicleta e outros componentes feitos deste material - tendo todos eles diferentes rácios de resistência/peso. Essa investigação  tem algumas limitações. Por um lado, os cientistas usam métodos rudimentares devido à ausência de dados energéticos detalhados de processos de fabricação de bicicletas e, por outro lado, alguns destes estudos tem origem em investigadores pagos por fabricantes para rever a sustentabilidade dos seus produtos. Apesar de tudo, fazendo as contas, os resultados são bastante consistentes. Procurando não me alongar, abrevio, focando-me apenas nas emissões (CO2=CO2-equivalentes) deixando de parte outros impactos ambientais.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Antes de 1980, praticamente todas as bicicletas eram feitas de aço.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Reynolds, um fabricante britânico conhecido pela tubagem de bicicletas, descobriu que a fabricação de uma armação em aço consumia 17.5 kg CO2, enquanto que a mesma armação, feita em titânio ou aço inoxidável, consumia cerca de 55kg CO2 - três vezes mais. &lt;sup id=&#34;fnref:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Starting Cycles, um fabricante raro de bicicletas de montanha em aço, concluiu que uma armação típica em titânio consome 16 vezes mais energia que a mesma em aço. &lt;sup id=&#34;fnref:5&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:5&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;5&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; (Feitas as contas, seria algo como 280 kg CO2). Um estudo independente feito em 2014 - o primeiro deste tipo - calculou a pegada ecológica de uma armação em alumínio de uma bicicleta de estrada com forquilha de carbono de uma marca “especializada” e concluiu que o custo para a sua produção seria de 2380 quilowatts-hora de energia primária e cerca de 250kg de carbono - aproximadamente 14 vezes mais que uma armação em aço (sem a forquilha) como calculado por Reynolds. &lt;sup id=&#34;fnref1:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma bicicleta é muito mais do que a sua armação. Análises comparativas do ciclo de vida de bicicletas completas demonstram que a pegada ecológica de todos os outros componentes é, pelo menos, tão elevada como a produção de uma armação em aço. &lt;sup id=&#34;fnref:6&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:6&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;6&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Cientistas calcularam as emissões de carbono no ciclo de vida de uma bicicleta de aço estabelecendo-a em 35kg CO2, comparativamente a 212 kg CO2 para uma bicicleta de alumínio. &lt;sup id=&#34;fnref:7&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:7&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;7&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; A mais detalhada análise do ciclo de vida de uma bicicleta conclui que a pegada ecológica de uma bicicleta de alumínio é de 18,4 kg a 200kg CO2, incluindo as suas peças sobresselentes, para um ciclo de vida de 15000 km. A fase de maior impacto é a de preparação dos materiais (74%; alumínio, aço inoxidável, borracha), seguido da fase de manutenção (15.5% para 3.5 novos pares de pneus, seis travões, uma correia, e uma cassete) e a fase de montagem (5%). &lt;sup id=&#34;fnref:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;onde-e-como-são-fabricadas-as-bicicletas&#34;&gt;Onde e como são fabricadas as bicicletas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;As minhas bicicletas em aço remontam a uma época onde a maioria dos países industrializados tinham há muito tempo estabelecido a sua própria indústria de fabricação de bicicletas, por forma a servir o seu mercado nacional.  &lt;sup id=&#34;fnref1:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Estas indústrias colapsaram na Europa e na América do Norte, na sequência da globalização neoliberal dos anos 70. A China abriu as portas a investimento estrangeiro e rapidamente se tornou no maior fabricante de bicicletas no mundo. Nas últimas duas décadas, a China fabricou dois terços da produção mundial de bicicletas (60 - 70 milhões num total global de 110 milhões). A restante produção tem origem, na sua grande maioria, noutros países asiáticos. A Europa está de volta à produção de dez milhões de bicicletas anualmente, enquanto os EU apenas fabricam 60000 bicicletas por ano. &lt;sup id=&#34;fnref2:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No decorrer do século XX, a fabricação de bicicletas exigia trabalho humano substancial. &lt;sup id=&#34;fnref3:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; De acordo com a Routlege Companion to Cycling, “as rodas eram raiadas e calibradas manualmente; as armações eram fabricadas à mão; a manufatura dos selins era laboriosa; as cabeças, os conjuntos de mudanças (blocos), cabos de travões e as mudanças eram aparafusadas manualmente.” Desde o ano 2000, a automação levou à redução considerável do trabalho humano. O maior fabricante chinês de bicicletas, que fabrica 1/5 das bicicletas produzidas mundialmente, possui 42 linhas de montagem, fabricando cerca de 55000 bicicletas diariamente - quase tanto como os EU num ano inteiro. &lt;sup id=&#34;fnref4:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Fabricantes nacionais de bicicletas na Europa e na América do Norte colapsaram, consequência da globalização do neoliberalismo nos finais dos anos 70.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A globalização e automação da indústria da bicicleta tornaram-na gradualmente menos sustentável. Em primeiro lugar, a globalização introduziu emissões extra no transporte (desde materiais em bruto, até os componentes e as bicicletas), na automação e na produção e operação de robôs e outra maquinaria. Em segundo lugar, a produção de aço, alumínio, compostos de fibra de carbono e eletricidade consome mais recursos energéticos e leva a uma maior emissão de carbono em países fabricantes como a China e outros, do que na Europa e América do Norte. &lt;sup id=&#34;fnref:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Acima de tudo, o facto de que a produção automatizada em larga escala representa capital perdido, esta precisa de estar em funcionamento a maioria do tempo, de forma a distribuir custos de manutenção e conduzindo a uma produção excessiva. &lt;sup id=&#34;fnref5:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;a-durabilidade-de-uma-bicicleta&#34;&gt;A durabilidade de uma bicicleta&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A quantidade de energia e recursos necessários à fabricação de uma bicicleta e a sua respetiva viagem até ao utilizador conta apenas uma parte da história. Igualmente importante, é a sua durabilidade. Quanto mais reduzido é o seu ciclo de vida, maior quantidade de veículos precisa de ser fabricada no decorrer do tempo de vida de um ciclista e, por consequência, mais acentuado se torna o consumo de recursos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para apresentar um ciclo de vida longo, alguns componentes da bicicleta precisam de ser substituídos. Estes são tipicamente partes mais pequenas como a alavanca de mudanças, as correntes ou os travões. &lt;sup id=&#34;fnref:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Até há bem pouco tempo, não mais do que algumas décadas atrás, a compatibilidade dos componentes era uma caraterística que definia a fabricação de bicicletas. &lt;sup id=&#34;fnref:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; As minhas são um perfeito exemplo disso. A maioria dos componentes - tais como as rodas, o kit de mudanças e os travões - podem ser utilizados entre várias armações, mesmo que cada uma delas tenha marcas e anos de construção diferentes. A compatibilidade entre os vários componentes permite uma mais fácil manutenção e reparabilidade e, por isso mesmo, pode levar ao aumento do ciclo de vida de uma bicicleta. As lojas de reparação de bicicletas, mesmo nas cidades mais pequenas, conseguem repará-las usando um conjunto limitado de ferramentas e peças sobresselentes. &lt;sup id=&#34;fnref1:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Os ciclistas podem fazer também pequenas reparações em casa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Infelizmente, a compatibilidade deixou de ser uma característica na fabricação de novas bicicletas. Os fabricantes introduziram um número cada vez mais elevado de componentes patenteados e mudam continuamente os standards, levando a problemas de compatibilidade com bicicletas mais antigas da mesma marca. &lt;sup id=&#34;fnref1:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref6:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Por exemplo, se a alavanca de mudanças de uma bicicleta moderna se parte após alguns anos de utilização, uma peça de substituição não estará, provavelmente, mais disponível. É necessário encomendar um novo conjunto de uma nova geração, que será incompatível com o derailleur frontal e traseiro - que precisa também de ser substituído. &lt;sup id=&#34;fnref2:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Para bicicletas de estrada, a mudança dos corpos de cassete com 10 rodas dentadas (por volta de 2010) para corpos de cassete de onze, doze e mais recentemente treze rodas dentadas, levaram a que inúmeros conjuntos de rodas se tornassem obsoletos, o mesmo se aplica às restantes transmissões, incluindo as alavancas de mudanças e correntes. &lt;sup id=&#34;fnref3:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref2:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Até aos anos 80, a maioria dos componentes da bicicleta podiam ser utilizados em armações de marcas e gerações distintas.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Os freios de disco, que agora fazem parte de praticamente todas as novas bicicletas, têm diferentes modelos de eixo, o que significa que cada veículo agora requer peças sobresselentes patenteadas. &lt;sup id=&#34;fnref3:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Os freios de disco também requerem novas alavancas de mudanças, forquilhas, conjuntos de armações, cabos e rodas, tornando as novas bicicletas incompatíveis com designs anteriores. &lt;sup id=&#34;fnref4:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; O aumento da utilização de peças patenteadas torna cada vez mais difícil manter uma bicicleta funcional, através de processos de manutenção, reutilização e recuperação. Enquanto o número de peças incompatíveis continuar a aumentar, vai tornar-se praticamente impossível às lojas de reparação ter um stock completo de peças sobresselentes. &lt;sup id=&#34;fnref5:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A incompatibilidade dos componentes é acompanhada de uma redução na sua qualidade. Um exemplo disto mesmo é o selim, que dificilmente dura mais do que o conjunto da armação, pois a parte interior acaba por se danificar. &lt;sup id=&#34;fnref6:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Uma modificação dos componentes materiais poderia fazê-la durar para sempre - como comprovam os selins das minhas bicicletas de estrada com 40 e 50 anos de vida. A qualidade reduzida dos componentes afeta algumas das bicicletas mais caras mas, o que é especialmente problemático, é o facto de bicicletas baratas serem feitas exclusivamente de componentes de baixa qualidade. Os mecânicos de bicicletas referem-se a elas como “bicicletas fabricadas para falhar” ou “objetos em forma de bicicleta” – pois estas contêm, habitualmente, peças de plástico que partem facilmente e que não podem ser substituídas ou melhoradas. Estes veículos apenas duram, normalmente, alguns meses. &lt;sup id=&#34;fnref:13&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:13&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;13&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:14&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:14&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;14&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2024/10/can-we-make-bicycles-sustainable-again/images/dithers/fabricablanconegroweb__1__dithered.png&#34; alt=&#39;Illustration: Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Illustration: [Diego Marmolejo](https://www.instagram.com/ddidak/). 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;h2 id=&#34;como-são-impulsionadas-as-bicicletas&#34;&gt;Como são impulsionadas as bicicletas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Até agora, apenas exploramos o universo das bicicletas inteiramente impulsionadas pelo seu utilizador mas, a sua versão com motor elétrico, está a tornar-se cada vez mais popular. O número de e-bikes vendidas globalmente cresceu de 3.7 milhões em 2019 para 9.7 milhões em 2021 (10% do total da venda de bicicletas e, em certos países como a Alemanha, chegando a 40%). As bicicletas elétricas vêm reforçar ambas as tendências que tornam as bicicletas menos sustentáveis. Por um lado, os motores elétricos e as baterias requerem recursos adicionais como o lítio, o cobre e o magnete, aumentando o consumo de energia e as emissões de carbono na fabricação de bicicletas. Os resultados da investigação demonstraram que as emissões de gases com efeito de estufa libertadas na fabricação de uma e-bike em alumínio são de 320 kg. &lt;sup id=&#34;fnref1:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Comparativamente, a fabricação de uma bicicleta de alumínio sem motor apresenta emissões de 212 kg e uma bicicleta de aço sem motor, 35 kg.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por outro lado, o ciclo de vida de uma bicicleta elétrica é muito mais reduzido quando comparado com uma “duas-rodas” convencional, pois esta apresenta muito mais probabilidade de se avariar. A avaria dos componentes adicionais – como o motor, a bateria, e os componentes eletrónicos - leva a um reduzido ciclo de vida devido à incompatibilidade dos componentes. De acordo com um estudo académico que analisou a circularidade na indústria de fabricação de bicicletas, houve um aumento significativo de componentes defeituosos quando comparado com a bicicleta convencional, concluindo-se que “as grandes dinâmicas de mercado devido a inovações recorrentes, renovação de produtos e a falta de peças sobresselentes para modelos mais antigos dificultam a sua utilização a longo prazo quando comparado com as bicicletas convencionais”. &lt;sup id=&#34;fnref:15&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:15&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;15&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;As bicicletas elétricas vêm reforçar ambas as tendências que tornam a bicicleta menos sustentável.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Além disso, as bicicletas elétricas requerem energia na sua operação, acentuando o aumento no uso de recursos e de emissões. Este impacto é relativamente reduzido quando comparado com a fase de fabricação. Apesar de tudo, é o ser humano que providência parte da energia que a coloca em movimento, e a eletricidade despendida numa bicicleta elétrica (25km/h) é de cerca de 1 quilowatt/hora por 100 km. A intensidade da emissão média de gases com efeito de estufa causada pela produção de eletricidade na Europa em 2019 foi de 275gCO2/kWh. &lt;sup id=&#34;fnref:16&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:16&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;16&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Se uma e-bike dura 15000 km, carregar a bateria apenas acrescenta 41 kg de CO2, comparativamente aos 320 kg necessário á produção de uma bicicleta de alumínio. Mesmo nos EU e na China, onde a intensidade de produção de carbono na rede de potência elétrica é 50-100% mais elevada do que na Europa, é a fase de fabricação da bicicleta elétrica que domina a soma total de emissões e o consumo energético.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;bicicletas-de-carga&#34;&gt;Bicicletas de carga&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A combinação de recursos de elevado consumo energético, ciclos de vida reduzidos e o uso de motores elétricos, podem aumentar as emissões do ciclo de vida de uma bicicleta atingindo níveis surpreendentes, especialmente quando falamos de bicicletas de carga. Estes veículos são normalmente maiores e mais pesados que a bicicleta de passageiros convencional e, por isso, requerem motores e baterias mais potentes. A análise do ciclo de vida de bicicletas de carga é praticamente inexistente. No entanto, um estudo recente calculou a emissão durante o ciclo de vida de uma bicicleta de carga elétrica em fibra de carbono fixando-a em 80gCO2 por quilómetro - apenas metade daquela emitida por uma carrinha elétrica (158 gCO2/km). &lt;sup id=&#34;fnref:17&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:17&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;17&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Os investigadores explicaram este facto na diferença do ciclo de vida que ambas apresentam - 34000km no caso da bicicleta, quando comparado com 240000km, no caso da carrinha - e os compostos em fibra de carbono presentes em vários componentes, incluindo o chassis do veículo. As emissões do ciclo de vida de uma bicicleta de carga, incluindo a eletricidade requerida para carregar a sua bateria, eleva-se a 2689kg. Este valor representa quase 40 vezes mais emissões num ciclo de vida quando comparado a duas bicicletas de aço (cada uma delas com um ciclo de vida de 15000km).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A extensão do período de vida útil de uma bicicleta elétrica tem menos impacto nas suas emissões ao longo do seu ciclo de vida quando comparado com a bicicleta convencional. Isto deve-se ao facto de que a bateria precisa de ser substituída a cada 3/4 anos e o motor a cada dez anos, o que acrescenta à utilização de recursos das peças sobresselentes. &lt;sup id=&#34;fnref1:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Isto pode ser demonstrado ao analisar o ciclo de vida de um bicicleta de carga elétrica em aço com um ciclo de vida expectável assumido de 20 anos. &lt;sup id=&#34;fnref:18&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:18&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;18&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Ao longo do seu tempo de vida, serão utilizadas cinco baterias (cada uma delas pesando 8,5kg), dois motores e 3.5 conjuntos de pneus. A maioria das emissões no seu ciclo de vida serão provocadas pelas peças sobresselentes. Sendo que, apenas as baterias, são responsáveis por 40% do total de emissões. Em comparação, as emissões de uma bicicleta em aço são praticamente residuais. &lt;sup id=&#34;fnref1:18&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:18&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;18&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Neste caso específico, a bicicleta de carga foi fabricada para circular nas ruas de África e não é completamente representativo de uma bicicleta de carga convencional, devido, em parte, aos seus pneus mais pesados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As bicicletas de carga têm uma outra desvantagem. Normalmente, a bicicleta de passageiros e o carro, apenas levam uma pessoa, o que significa que um quilómetro feito por um passageiro numa bicicleta é aproximadamente o mesmo que um quilómetro feito por um passageiro num veículo. No entanto, no que toca a este caso em particular, a comparação de toneladas/quilómetros é mais complexa. Se a carga for relativamente baixa - normalmente até 150kg - a bicicleta de carga elétrica irá apresentar emissões de carbono mais reduzidas, comparativamente a uma carrinha. No entanto, para cargas mais pesadas, serão necessárias várias viagens de uma bicicleta de carga para substituir apenas uma carrinha, o que vai conduzir à multiplicação das emissões incorporadas. &lt;sup id=&#34;fnref2:18&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:18&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;18&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; A mudança para bicicletas de carga, sem a redução significativa no volume a transportar, é pouco provável de reduzir as emissões. Como é óbvio, as bicicletas de carga com armações em aço e sem motores elétricos e baterias – que atualmente ainda constituem a grande maioria - terão uma emissão de carbono muito mais reduzida ao longo do seu tempo de vida.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;qual-o-uso-dado-às-bicicletas&#34;&gt;Qual o uso dado às bicicletas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Nos últimos anos, muitas cidades introduziram o serviço da bicicleta partilhada. Na teoria, este serviço poderia reduzir o número de bicicletas produzidas e, por consequência, também reduzir o impacto ambiental na produção das mesmas. No entanto, construir e operar serviços de bicicletas partilhadas acrescenta um uso significativo de energia e o aumento de emissões. Além disso, a bicicleta partilhada não dura tanto tempo como a bicicleta pessoal. Assim, este serviço apenas vem reforçar as tendências que tornam a bicicleta menos sustentável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um estudo realizado em 2021, comparou o impacto ambiental da bicicleta pessoal e da partilhada, incluindo a infraestrutura particular a cada uma delas. A conclusão foi que a bicicleta pessoal é mais sustentável que a bicicleta partilhada. &lt;sup id=&#34;fnref2:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; O estudo é baseado no sistema Vélib em Paris, França, empresa que detém 19.000 veículos, sendo metade destes elétricos. A fabricação dos veículos e infraestrutura para a manutenção deste serviço causam mais de 90% das emissões e do consumo energético. As emissões restantes devem-se sobretudo à construção de ciclovias (3.5%), a reequilibragem das bicicletas por forma a manter todas as estações de coleta abastecidas de forma otimizada (2%) e a eletricidade utilizada para carregar as baterias das bicicletas elétricas (0.3%). Ao todo, uma bicicleta partilhada do sistema Vélib apresenta uma taxa de emissão de 32g CO2/km, o que representa um valor três a dez vezes superior ao de uma bicicleta pessoal (entre 3.5 gCO2/km para uma bicicleta de aço e 10.5 gCO2/km para uma bicicleta de alumínio). &lt;sup id=&#34;fnref3:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;A construção e operação de um serviço de bicicleta partilhada representa um acréscimo no consumo energético e na produção de emissões.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Os cientistas descobriram que o serviço da bicicleta partilhada conduziu a uma quebra de 15% na posse da bicicleta de uso pessoal. No entanto, quando calculado o tempo médio de vida de uma bicicleta partilhada, chegou-se à conclusão de que esta é de apenas 14.7 meses, com uma quilometragem média máxima de 12.250km. Em comparação, o tempo médio de vida de uma bicicleta pessoal em França, baseado num estudo de 2020, é de cerca de 20.000km - quase 50% mais elevado do que o de uma bicicleta partilhada. O sistema Vélib inclui 14.000 pontos de coleta para bicicletas partilhadas ocupando uma superfície de 92.000m2 e podendo atingir um tempo de vida estimado de dez anos. Cada um dos 46.500 pontos de coleta consiste em 23kg de aço e 0.5kg de plástico. A potência de consumo de cada um dos pontos de coleta é de cerca de 6000kWh por ano. Devido ao elevado impacto desta infraestrutura, as emissões no ciclo de vida da bicicleta elétrica partilhada é apenas 24% superior ao dos veículos não elétricos partilhados. &lt;sup id=&#34;fnref4:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pegada ecológica dos sistemas da bicicleta partilhada pode variar significativamente, dependendo da cidade onde se situam. Uma análise do ciclo de vida dos serviços de bicicletas partilhas nos EU revelou emissões de carbono na ordem de 65g CO2/km - duas vezes mais elevada do que em Paris. &lt;sup id=&#34;fnref:19&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:19&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;19&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Isto deve-se maioritariamente ao uso de carrinhas a diesel nos serviços dos EU para a reequilibragem das bicicletas, enquanto que os serviços em França usam tratores elétricos. O estudo nos EU também analisa a nova geração de serviços de bicicletas partilhadas dockless (sem ponto de coleta), que têm um impacto ainda mais negativo. As bicicletas partilhadas sem ponto de coleta podem ser estacionadas em qualquer parte e podem ser localizadas através de um aplicativo móvel. Apesar de não haver necessidade de haver pontos de coleta, cada uma das bicicletas requer o uso de componentes eletrónicos de elevado consumo energético, e, o sistema também gera emissões através das suas redes de comunicação. &lt;sup id=&#34;fnref1:19&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:19&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;19&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref1:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Além disso, os sistemas dockless requerem mais bicicletas e envolvem mais reequilibragem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A análise do ciclo de vida de serviços de bicicletas partilhadas chinesas, muitos deles sem pontos de recolha, demonstram altas taxas de deterioração e taxas de manutenção baixas. A taxa de deterioração anual situa-se entre os 10 - 20% para bicicletas reforçadas e 20-40% para veículos ligeiros que têm vindo a tornar-se cada vez mais comuns. Na prática, uma bicicleta partilhada passa a ser sucata quando o componente com pior durabilidade é danificado. A reparação praticamente não acontece. &lt;sup id=&#34;fnref2:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Para além disso, quando uma empresa abre falência, as bicicletas partilhadas criam um volume elevado de desperdício - incluindo bicicletas em boas condições de utilização. &lt;sup id=&#34;fnref3:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; &lt;sup id=&#34;fnref4:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2024/10/can-we-make-bicycles-sustainable-again/images/dithers/Final-Version-1_dithered.png&#34; alt=&#39;Imagem: Emissões de carbono no ciclo de vida por quilómetro de deslocação em bicicleta. Gráfico: Marie Verdeil. Fontes: [^8][^17][^19][^26].&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Imagem: Emissões de carbono no ciclo de vida por quilómetro de deslocação em bicicleta. Gráfico: Marie Verdeil. Fontes: [^8][^17][^19][^26]. 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;h2 id=&#34;nem-todas-as-bicicletas-podem-substituir-um-carro&#34;&gt;Nem todas as bicicletas podem substituir um carro&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Nada do que foi dito anteriormente deve desencorajar o uso da bicicleta. Mesmo as bicicletas menos sustentáveis, são significativamente mais sustentáveis que o veículo automóvel. A pegada ecológica associada à fabricação de um carro a gasóleo ou gasolina situa-se entre as 6 toneladas (Citroen C1) e as 35 toneladas (Land Rover Discovery). &lt;sup id=&#34;fnref:20&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:20&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;20&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Por consequência, a construção de um pequeno automóvel como o C1 produz o mesmo número de emissões que aquelas necessárias para fabricar 171 bicicletas de aço ou 28 bicicletas de alumínio. Além disso, o carro também tem uma elevada pegada ecológica associada ao uso de combustível, enquanto que as bicicletas são completamente ou parcialmente movidas pela potência humana. &lt;sup id=&#34;fnref:21&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:21&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;21&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Os carros elétricos apresentam uma elevada taxa de emissões na sua fase de produção, no entanto, em contrapartida, uma reduzida taxa de emissões nos seus processos operativos (contudo, isto depende inteiramente da intensidade de carbono da rede elétrica).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A bicicleta mantém ainda as suas vantagens mesmo quando o seu tempo de vida muito mais reduzido é tomado em consideração. &lt;sup id=&#34;fnref:22&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:22&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;22&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Os carros a gasóleo e gasolina atingem agora mais de 300.000km, o dobro do tempo de vida atingido nos anos 60 e 70. &lt;sup id=&#34;fnref:23&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:23&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;23&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Se uma bicicleta dura cerca de 20.000km, seriam necessárias 15 bicicletas para cobrir a distância de 300.000km. Se essas forem bicicletas de aço sem um motor elétrico, a pegada ecológica associada às emissões de carbono na sua fabricação é, ainda assim, seis vezes inferior àquela necessária para um carro pequeno: 1.050kg de CO2. Se as bicicletas forem feitas inteiramente de alumínio e tiverem motores elétricos, as emissões aumentam para 4.800kg CO2, mesmo assim abaixo do valor da taxa de emissões de carbono necessárias à produção de um carro pequeno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, nem todas a bicicletas podem substituir o carro. Isso é especialmente notório quando falamos de bicicletas partilhadas e elétricas: os estudos mostram que estas apenas vieram substituir formas mais sustentáveis de mobilidade como caminhar, usar bicicletas sem motor ou pessoais e andar de metro. &lt;sup id=&#34;fnref2:19&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:19&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;19&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; &lt;sup id=&#34;fnref:24&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:24&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;24&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Em Paris, o sistema da bicicleta partilhada apresenta emissões três vezes mais elevadas que o transporte público elétrico. &lt;sup id=&#34;fnref5:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Acresce que, muitas bicicletas de elevada intensidade carbónica, são compradas apenas por motivos de recreação e não como forma de substituir a locomoção automóvel – o que pode ainda envolver um uso mais elevado do carro, quando os ciclistas escapam da cidade para uma viagem na natureza. Em todos os casos descritos anteriormente, as emissões não diminuem, mas, muito pelo contrário, aumentam.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;como-podemos-tornar-a-bicicleta-novamente-sustentável&#34;&gt;Como podemos tornar a bicicleta novamente sustentável?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Concluindo, existem várias razões pelas quais a bicicleta se tornou menos sustentável: a transição no uso do aço para o alumínio e outros materiais com elevados custos energéticos, o aumento da indústria de fabricação de bicicletas, o aumento da incompatibilidade e a redução da qualidade dos componentes, o crescimento da popularidade das bicicletas elétricas e o uso de serviços da bicicleta partilhada. A maioria destes casos não são em si um problema. É, por outro lado, a combinação destas tendências que leva a diferenças significativas com bicicletas de gerações anteriores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tomando como exemplo os dados mencionados anteriormente, a fabricação de uma bicicleta elétrica feita de aço teria uma pegada ecológica de 143kg de carbono. Apesar de isto representar quatro vezes mais emissões que uma bicicleta de aço convencional, esta fica, mesmo assim, abaixo da pegada ecológica de uma bicicleta de alumínio sem um motor elétrico (212 kg). Especialmente se a bateria for carregada com energia renovável, andar numa bicicleta elétrica pode, de facto, ser mais sustentável do que andar numa sem motor elétrico. Da mesma forma, uma bicicleta de alumínio com um longo tempo de vida - por exemplo, através do uso de componentes compatíveis – pode apresentar uma pegada ecológica de carbono mais reduzida quando comparada com uma bicicleta de aço com um tempo de vida mais limitado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitos investigadores advogam a transição para a produção de bicicletas em aço, em detrimento do alumínio ou de outros materiais com elevado custo energético. Isto poderia trazer ganhos elevados na sustentabilidade por um custo relativamente reduzido – mesmo que tornando as bicicletas ligeiramente mais pesadas. O recurso a armações de aço poderia também, reduzir as emissões de carbono associadas às bicicletas elétrica e partilhada. Alguns investigadores promovem ainda armações em bamboo, mas o benefício quando comparado com o aço ou o alumínio não é ainda muito claro. &lt;sup id=&#34;fnref:25&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:25&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;25&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Uma bicicleta de bamboo ainda precisa de rodas e muitos outros componentes feitos de metal ou compostos de fibra de carbono, e os tubos da armação são habitualmente unidos usando fibra de carbono ou partes metálicas. &lt;sup id=&#34;fnref1:6&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:6&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;6&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Ainda por cima, o bamboo é tratado quimicamente contra a deterioração, deixando de ser biodegradável. &lt;sup id=&#34;fnref5:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Reverter para a fabricação local e menos automatizada é um requisito para a produção de bicicletas mais sustentáveis.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Uma compatibilidade mais elevada dos componentes aumentaria o tempo de vida da bicicleta – incluindo a elétrica - através da reparação e recuperação. Esta não traria qualquer desvantagem para o consumidor, muito pelo contrário. No entanto, ao contrário da transição para as armações em aço, uma maior compatibilidade dos componentes iria afetar as vendas de novas bicicletas. Um estudo concluiu que “o abandono da uniformização (dos componentes) tornou-se um negócio lucrativo porque assegura que as bicicletas têm um tempo de vida limitada”. &lt;sup id=&#34;fnref6:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; A redução da sustentabilidade da bicicleta não é um problema tecnológico e não é um caso isolado, como podemos observar na fabricação de outros produtos, como computadores.](https://qelnixcor.cloud/2020/12/how-and-why-i-stopped-buying-new-laptops/). Como observa um mecânico de bicicletas: “O problema é o capitalismo; não são as bicicletas”. &lt;sup id=&#34;fnref1:14&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:14&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;14&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reverter para uma fabricação local e menos automatizada é um requisito para a produção de bicicletas mais sustentáveis. A principal razão não é a energia extra gerada pelo transporte e maquinaria, que representa um valor relativamente pequeno. Por exemplo, enviar uma bicicleta a partir da China acrescenta entre 0.7 a 1.2 gCO2/km à bicicleta partilhada. &lt;sup id=&#34;fnref6:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Fundamentalmente, a produção nacional e manual da bicicleta é essencial para tornar a sua reparação e recuperação a opção economicamente mais atrativa. Por definição, a reparação é local e manual então, é natural que se torne rapidamente mais cara que a produção de um novo modelo numa fábrica automatizada de larga escala. &lt;sup id=&#34;fnref4:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; As bicicletas fabricadas localmente aumentariam o preço de compra para os utilizadores. No entanto, a maior reparabilidade das mesmas iria permitir que tivessem um tempo de vida mais elevado e um custo mais reduzido a longo prazo. Abordar o problema do roubo de bicicletas e os problemas de estacionamento é também essencial, pois estes fatores são um dos principais motivos que leva à compra de bicicletas baratas e de curta duração. &lt;sup id=&#34;fnref:26&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:26&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;26&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Concluindo, os serviços de bicicletas partilhadas podem ter o seu lugar no mercado e, provavelmente, vamos assistir à melhoria continua na sua eficiência material - os mais recentes pontos de coleta em Paris reduziram o seu consumo energético por um fator de seis. &lt;sup id=&#34;fnref7:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; No entanto, é altamente improvável que a bicicleta partilhada se torne mais sustentável que a bicicleta pessoal, pois requere reequilibragem continua e uma infraestrutura altamente tecnológica para permitir o funcionamento do seu sistema. Além disso, o facto de ganharmos apego à nossa bicicleta pode ser um forte incentivo para melhor cuidarmos dela e assim aumentarmos o seu tempo de vida, como eu mesmo posso comprovar.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;footnotes&#34; role=&#34;doc-endnotes&#34;&gt;
&lt;hr&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id=&#34;fn:1&#34;&gt;
&lt;p&gt;Szto, Courtney, and Brian Wilson. &amp;ldquo;Reduce, re-use, re-ride: Bike waste and moving towards a circular economy for sporting goods.&amp;rdquo; International Review for the Sociology of Sport (2022): 10126902221138033. &lt;a href=&#34;https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/10126902221138033&#34;&gt;https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/10126902221138033&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref5:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref6:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:2&#34;&gt;
&lt;p&gt;Johnson, Rebecca, Alice Kodama, and Regina Willensky. &amp;ldquo;The complete impact of bicycle use: analyzing the environmental impact and initiative of the bicycle industry.&amp;rdquo; (2014). &lt;a href=&#34;https://dukespace.lib.duke.edu/dspace/bitstream/handle/10161/8483/Duke_MP_Published.pdf&#34;&gt;https://dukespace.lib.duke.edu/dspace/bitstream/handle/10161/8483/Duke_MP_Published.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:3&#34;&gt;
&lt;p&gt;Norcliffe, Glen, et al., eds. Routledge Companion to Cycling. Taylor &amp;amp; Francis, 2022. &lt;a href=&#34;https://www.routledge.com/Routledge-Companion-to-Cycling/Norcliffe-Brogan-Cox-Gao-Hadland-Hanlon-Jones-Oddy-Vivanco/p/book/9781003142041&#34;&gt;https://www.routledge.com/Routledge-Companion-to-Cycling/Norcliffe-Brogan-Cox-Gao-Hadland-Hanlon-Jones-Oddy-Vivanco/p/book/9781003142041&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref5:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref6:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:4&#34;&gt;
&lt;p&gt;Cole, Emma. “What’s the environmental impact of a steel bicycle frame?” Cyclist, November 7, 2022. &lt;a href=&#34;https://www.cyclist.co.uk/in-depth/11003/steel-bike-frame-environmental-impact&#34;&gt;https://www.cyclist.co.uk/in-depth/11003/steel-bike-frame-environmental-impact&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:5&#34;&gt;
&lt;p&gt;Mercer, Liam. “Starling Cycles publishes environmental footprint assessment and policy.” Off-road.cc, July 2022. &lt;a href=&#34;https://off.road.cc/content/news/starling-cycles-publishes-environmental-footprint-assessment-and-policy-10513&#34;&gt;https://off.road.cc/content/news/starling-cycles-publishes-environmental-footprint-assessment-and-policy-10513&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:5&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:6&#34;&gt;
&lt;p&gt;Chang, Ya-Ju, Erwin M. Schau, and Matthias Finkbeiner. &amp;ldquo;Application of life cycle sustainability assessment to the bamboo and aluminum bicycle in surveying social risks of developing countries.&amp;rdquo; 2nd World Sustainability Forum, Web Conference. 2012. &lt;a href=&#34;https://sciforum.net/manuscripts/953/original.pdf&#34;&gt;https://sciforum.net/manuscripts/953/original.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:6&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:6&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:7&#34;&gt;
&lt;p&gt;Chen, Jingrui, et al. &amp;ldquo;Life cycle carbon dioxide emissions of bike sharing in China: Production, operation, and recycling.&amp;rdquo; Resources, Conservation and Recycling 162 (2020): 105011. &lt;a href=&#34;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0921344920303281&#34;&gt;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0921344920303281&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:7&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:8&#34;&gt;
&lt;p&gt;De Bortoli, Anne. &amp;ldquo;Environmental performance of shared micromobility and personal alternatives using integrated modal LCA.&amp;rdquo; Transportation Research Part D: Transport and Environment 93 (2021): 102743. &lt;a href=&#34;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S136192092100047X&#34;&gt;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S136192092100047X&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref5:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref6:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref7:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:9&#34;&gt;
&lt;p&gt;Roy, Papon, Md Danesh Miah, and Md Tasneem Zafar. &amp;ldquo;Environmental impacts of bicycle production in Bangladesh: a cradle-to-grave life cycle assessment approach.&amp;rdquo; SN Applied Sciences 1 (2019): 1-16. &lt;a href=&#34;https://link.springer.com/article/10.1007/s42452-019-0721-z&#34;&gt;https://link.springer.com/article/10.1007/s42452-019-0721-z&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:10&#34;&gt;
&lt;p&gt;Mao, Guozhu, et al. &amp;ldquo;How can bicycle-sharing have a sustainable future? A research based on life cycle assessment.&amp;rdquo; Journal of Cleaner Production 282 (2021): 125081. &lt;a href=&#34;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0959652620351258&#34;&gt;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0959652620351258&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:11&#34;&gt;
&lt;p&gt;Leuenberger, Marianne, and Rolf Frischknecht. &amp;ldquo;Life cycle assessment of two wheel vehicles.&amp;rdquo; ESU-Services Ltd.: Uster, Switzerland (2010). &lt;a href=&#34;https://treeze.ch/fileadmin/user_upload/downloads/Publications/Case_Studies/Mobility/leuenberger-2010-TwoWheelVehicles.pdf&#34;&gt;https://treeze.ch/fileadmin/user_upload/downloads/Publications/Case_Studies/Mobility/leuenberger-2010-TwoWheelVehicles.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:12&#34;&gt;
&lt;p&gt;Erik Bronsvoort &amp;amp; Matthijs Gerrits. “From marginal gains to a circular revolution”. Paperback (full-colour): 160 pages, ISBN: 978-94-92004-93-2, Warden Press, Amsterdam. &lt;a href=&#34;https://circularcycling.nl/product/from-marginal-gains-to-a-circular-revolution/&#34;&gt;https://circularcycling.nl/product/from-marginal-gains-to-a-circular-revolution/&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref5:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref6:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:13&#34;&gt;
&lt;p&gt;US petition that calls for end o built to fail bikes gaining support in BC. &lt;a href=&#34;https://vancouversun.com/news/local-news/u-s-petition-that-calls-for-end-of-built-to-fail-bikes-gaining-support-in-b-c&#34;&gt;https://vancouversun.com/news/local-news/u-s-petition-that-calls-for-end-of-built-to-fail-bikes-gaining-support-in-b-c&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:13&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:14&#34;&gt;
&lt;p&gt;Aaron Gordon. “Mechanics Ask Walmart, Major Bike Manufacturers to Stop Making and Selling ‘Built-to-Fail’ Bikes”, Vice, January 13, 2022. &lt;a href=&#34;https://www.vice.com/en/article/wxdgq9/mechanics-ask-walmart-major-bike-manufacturers-to-stop-making-and-selling-built-to-fail-bikes&#34;&gt;https://www.vice.com/en/article/wxdgq9/mechanics-ask-walmart-major-bike-manufacturers-to-stop-making-and-selling-built-to-fail-bikes&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:14&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:14&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:15&#34;&gt;
&lt;p&gt;Koop, Carina, et al. &amp;ldquo;Circular business models for remanufacturing in the electric bicycle industry.&amp;rdquo; Frontiers in Sustainability 2 (2021): 785036. &lt;a href=&#34;https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/frsus.2021.785036/full&#34;&gt;https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/frsus.2021.785036/full&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:15&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:16&#34;&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&#34;https://www.eea.europa.eu/data-and-maps/indicators/overview-of-the-electricity-production-3/assessment&#34;&gt;https://www.eea.europa.eu/data-and-maps/indicators/overview-of-the-electricity-production-3/assessment&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:16&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:17&#34;&gt;
&lt;p&gt;Temporelli, Andrea, et al. &amp;ldquo;Last mile logistics life cycle assessment: a comparative analysis from diesel van to e-cargo bike.&amp;rdquo; Energies 15.20 (2022): 7817.. &lt;a href=&#34;https://www.mdpi.com/1996-1073/15/20/7817&#34;&gt;https://www.mdpi.com/1996-1073/15/20/7817&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:17&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:18&#34;&gt;
&lt;p&gt;Schünemann, Jaron, et al. &amp;ldquo;Life Cycle Assessment on Electric Cargo Bikes for the Use-Case of Urban Freight Transportation in Ghana.&amp;rdquo; Procedia CIRP 105 (2022): 721-726. &lt;a href=&#34;https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2212827122001214&#34;&gt;https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2212827122001214&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:18&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:18&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:18&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:19&#34;&gt;
&lt;p&gt;Luo, Hao, et al. &amp;ldquo;Comparative life cycle assessment of station-based and dock-less bike sharing systems.&amp;rdquo; Resources, Conservation and Recycling 146 (2019): 180-189. &lt;a href=&#34;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0921344919301090&#34;&gt;https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0921344919301090&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:19&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:19&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:19&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:20&#34;&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&#34;https://www.theguardian.com/environment/green-living-blog/2010/sep/23/carbon-footprint-new-car&#34;&gt;https://www.theguardian.com/environment/green-living-blog/2010/sep/23/carbon-footprint-new-car&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:20&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:21&#34;&gt;
&lt;p&gt;Bicycles are entirely or partly powered by food calories. Some people argue that the life cycle energy requirements of bicycles are higher than other modes, when one considers the impact of food require to provide additional calories that are burned during the bicycle use. However, the majority of people in car-centered societies take in more calories than their sedentary lifestyle requires. Increased cycling would lead to lower obesity rates, not to higher calorie intakes.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:21&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:22&#34;&gt;
&lt;p&gt;This a purely theoretical calculation, because cars encourage much longer trips than bicycles.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:22&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:23&#34;&gt;
&lt;p&gt;Ford, Dexter. “As Cars Are Kept Longer, 200,000 Is New 100,000.” New York Times, March 16, 2012. &lt;a href=&#34;https://www.nytimes.com/2012/03/18/automobiles/as-cars-are-kept-longer-200000-is-new-100000.html?_r=2&amp;amp;ref=business&amp;amp;pagewanted=all&amp;amp;&#34;&gt;https://www.nytimes.com/2012/03/18/automobiles/as-cars-are-kept-longer-200000-is-new-100000.html?_r=2&amp;amp;ref=business&amp;amp;pagewanted=all&amp;amp;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:23&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:24&#34;&gt;
&lt;p&gt;Zheng, Fanying, et al. &amp;ldquo;Is bicycle sharing an environmental practice? Evidence from a life cycle assessment based on behavioral surveys.&amp;rdquo; Sustainability 11.6 (2019): 1550. &lt;a href=&#34;https://www.mdpi.com/2071-1050/11/6/1550&#34;&gt;https://www.mdpi.com/2071-1050/11/6/1550&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:24&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:25&#34;&gt;
&lt;p&gt;A comparison of the life cycle emissions of a bamboo versus an aluminium bicycle showed little difference (233 vs. 238 kg CO2). [6]&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:25&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:26&#34;&gt;
&lt;p&gt;Larsen, Jonas, and Mathilde Dissing Christensen. &amp;ldquo;The unstable lives of bicycles: the ‘unbecoming’of design objects.&amp;rdquo; Environment and Planning A: Economy and Space 47.4 (2015): 922-938. &lt;a href=&#34;https://orca.cardiff.ac.uk/id/eprint/131212/1/M%20Christensen%202015%20the%20unstable%20lives%20of%20bicycles%20ver2%20postprint.pdf&#34;&gt;https://orca.cardiff.ac.uk/id/eprint/131212/1/M%20Christensen%202015%20the%20unstable%20lives%20of%20bicycles%20ver2%20postprint.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:26&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/div&gt;
</description>
    </item>
    
    <item>
      <title>Fazendas verticais não economizam espaço</title>
      <link>https://qelnixcor.cloud/pt/2021/02/vertical-farming-does-not-save-space/</link>
      
      <enclosure url="https://qelnixcor.cloud/pt/2021/02/vertical-farming-does-not-save-space/images/dithers/vertical-farm_dithered.png" type="image/png" length="47726" ></enclosure>
      <pubDate>Tue, 16 Feb 2021 00:00:00 +0000</pubDate>
      
      <guid>https://qelnixcor.cloud/pt/2021/02/vertical-farming-does-not-save-space/</guid>
      <description>&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2021/02/vertical-farming-does-not-save-space/images/dithers/vertical-farm_dithered.png&#34; alt=&#39;&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;A agricultura urbana em fazendas verticais internas -ou indoor- está em ascensão. A iluminação artificial permite que as plantações cresçam em camadas verticais o ano inteiro. Seus defensores argumentam que os produtores podem economizar muitas terras agricultáveis desse modo. Vantagens adicionais são a redução de energia gasta para o transporte de alimentos (pois a maioria das pessoas vive em cidades) e a diminuição do uso de água e pesticidas.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;quais-culturas&#34;&gt;Quais culturas?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;As fazendas verticais ativas comercialmente por muitos anos focam nas mesmas culturas. São produtos agrícolas ricos em água, como a alface, tomates, pepinos, pimentas e ervas. Entretanto, essas culturas não podem alimentar uma cidade, por possuírem pouquíssimos carboidratos, proteínas ou gorduras. Para alimentar uma cidade, são necessários grãos, legumes, raízes e oleaginosas. No momento, estes são cultivados mundialmente em 16 milhões de quilômetros quadrados em terras agrícolas - quase o tamanho da América do Sul.&lt;sup id=&#34;fnref:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;cultivando-trigo-verticalmente&#34;&gt;Cultivando trigo verticalmente&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Uma instalação artística atualmente apresentada em Bruxelas—&lt;a href=&#34;https://disnovation.org/farm.php&#34;&gt;The Farm&lt;/a&gt;—explora o que seria preciso para produzir trigo em uma fazenda vertical. Para o experimento, 1 metro quadrado de trigo foi semeado em um ambiente completamente artificial. Ao medir a entrada de insumos como energia e água, o projeto mostra quanto os ecossistemas naturais sustentam nossa produção de alimentos. Quando o trigo é plantado no solo, horizontal, ao invés de verticalmente, o sol e as nuvens fornecem água e energia gratuita.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;um-pão-de-345-euros&#34;&gt;Um pão de 345 euros&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O experimento mostra que cultivar 1m2 de trigo em um ambiente artificial custa 2,577 quilowatts-hora de eletricidade e 394 litros de água por ano. A energia necessária para a produção dos equipamentos (tal como a iluminação) não está inclusa nos resultados, logo o orçamento deve ser maior do que o apresentado. O custo de energia para a construção também não é levado em consideração e o mesmo envolve tanto a construção em si quanto seu uso, por exemplo, para bombear a água e também aquecer e esfriar o ambiente.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2021/02/vertical-farming-does-not-save-space/images/dithers/vertical-farm2_dithered.png&#34; alt=&#39;&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;O cálculo do custeio inclui o preço do equipamento (1,227 euros). A vida útil da infraestrutura é estimada em 8 anos. Convertendo, a produção de um 1m2 de trigo em um ambiente artificial custa 610 euros por metro quadrado em um ano (incluindo infraestrutura, eletricidade e água). Desse valor, 412 euros vão para o consumo de eletricidade e apenas 1 euro para o consumo de água. Esse cálculo pode estar exagerado pelo fato de a instalação estar configurada em um espaço para exibição.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A “fazenda” produz quatro safras por ano. A cada colheita, cultiva-se trigo suficiente para fazer um pão (580 gramas), que tem um custo de pelo menos 345 euros. Cada pão contém 2.000 quilocalorias, a quantidade de que uma pessoa precisa por dia na média. Como resultado, são necessários 91 m2 de trigo produzido artificialmente para cada pessoa, com um custo total de 125.680 euros por ano.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;o-paradoxo-da-fazenda-vertical&#34;&gt;O paradoxo da fazenda vertical&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A iluminação artificial economiza terra pois as plantas podem ser cultivadas umas sobre as outras, mas se a eletricidade para a iluminação vier de painéis solares, a economia será cancelada pelo espaço necessário para instalar os painéis. A fazenda vertical é um paradoxo a menos que combustíveis fósseis forneçam a energia.&lt;sup id=&#34;fnref:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Nesse caso, não seria mais sustentável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Calculado para um rendimento de 175 quilowatts-hora por metro quadrado de painel solar por ano, o cultivo interno (indoor) de 1 m2 de trigo requer 20 m2 de painéis solares. É uma estimativa subestimada porque os cálculos são baseados no rendimento médio de um painel solar. Há muito menos luz solar no inverno do que no verão. Na realidade, a fazenda vertical requer muito mais painéis solares para continuar produzindo durante todo o ano. Também é necessária uma infraestrutura de armazenamento de energia, que custa dinheiro e energia também. Por fim, a produção de painéis solares também requer energia, o que demandaria ainda mais espaço se o próprio processo de produção funcionasse com painéis solares.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;inovação&#34;&gt;Inovação?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Todas essas críticas também se aplicam a fazendas verticais onde se cultivam alface e tomate. Nesse caso, há uma redução significativa no uso de água. Essas empresas são lucrativas, mas apenas porque o processo depende do fornecimento de combustíveis fósseis baratos. Se os painéis solares fornecessem a energia, os custos adicionais e espaço para o fornecimento de energia anulariam novamente a economia em termos de espaço e custos. A única vantagem de uma fazenda vertical seria, então, as distâncias de transporte mais curtas. Ainda assim, poderíamos muito bem tornar o transporte entre a cidade e o campo mais sustentável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O problema da agricultura não é que aconteça no campo. O problema é que depende muito de combustíveis fósseis. A fazenda vertical não é a solução, pois substitui, mais uma vez, a energia gratuita e renovável do sol por tecnologia cara que depende de combustíveis fósseis (lâmpadas LED + computadores + prédios de concreto + painéis solares). Nosso estilo de vida está se tornando cada vez menos sustentável, cada vez mais dependente de matérias-primas, infraestrutura, máquinas e energia fóssil. Infelizmente, isso também se aplica a quase todas as tecnologias que hoje classificamos como sustentáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;More info: &lt;a href=&#34;https://disnovation.org/farm.php&#34;&gt;Solar Share (The Farm)&lt;/a&gt;, by Disnovation.org (Maria Roszkowska, Nicolas Maigret) and Baruch Gottlieb.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;fontes&#34;&gt;Fontes&lt;/h2&gt;
&lt;div class=&#34;footnotes&#34; role=&#34;doc-endnotes&#34;&gt;
&lt;hr&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id=&#34;fn:1&#34;&gt;
&lt;p&gt;Smil, Vaclav. &amp;ldquo;It&amp;rsquo;ll be harder than we thought to get the carbon out [Blueprints for a Miracle].&amp;rdquo; IEEE Spectrum 55.6 (2018): 72-75.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:2&#34;&gt;
&lt;p&gt;Energias eólica e nuclear também são opções. Leia os comentários.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/div&gt;
</description>
    </item>
    
    <item>
      <title>Demasiada Combustão, Pouco Fogo</title>
      <link>https://qelnixcor.cloud/pt/2019/12/too-much-combustion-too-little-fire/</link>
      
      <enclosure url="https://qelnixcor.cloud/pt/2019/12/too-much-combustion-too-little-fire/images/dithers/toasterbanner_dithered.png" type="image/png" length="20315" ></enclosure>
      <pubDate>Sun, 29 Dec 2019 00:00:00 +0000</pubDate>
      
      <guid>https://qelnixcor.cloud/pt/2019/12/too-much-combustion-too-little-fire/</guid>
      <description>&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2019/12/too-much-combustion-too-little-fire/images/dithers/toasterbanner_dithered.png&#34; alt=&#39;Ilustração: Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Ilustração: [Diego Marmolejo](https://www.instagram.com/ddidak/).  
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;O fogo—que temos usado nas nossas casas há mais de 400 mil anos—continua a ser a tecnologia doméstica mais versátil e sustentável que a humanidade alguma vez conheceu. Sozinho, o fogo fornecia o que agora obtemos através de uma combinação de aparelhos modernos como o forno e fogão de cozinha, sistemas de aquecimento, iluminação, congelador, esquentador, secador e televisão. Ao contrário destas novas tecnologias, o fogo não precisava de uma infraestrutura central para o fazer funcionar, e poderia ser produzido localmente a partir de materiais prontamente disponíveis.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;da-lareira-aberta-até-à-central-elétrica&#34;&gt;Da Lareira Aberta até à Central Elétrica&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A utilização usual do fogo data de há pelo menos 300–400 mil anos.&lt;sup id=&#34;fnref:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Até ao século XX, o fogo alimentado a biomassa era o único &amp;ldquo;aparelho&amp;rdquo; no lar que utilizava energia—quer as pessoas vivessem numa gruta, numa cabana temporária, ou num edifício permanente. Os primeiros abrigos eram frequentemente construídos com o objetivo explícito de evitar que o fogo se apagasse, protegendo-o do vento e da chuva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante a maior parte da história humana, o fogo surge sob a forma de uma fogueira construída sobre um chão de terra no meio de um abrigo. O fumo do fogo escapava através de uma abertura no telhado. A partir do século XIV, na Europa, a fogueira foi gradualmente substituída por uma lareira ligada a uma chaminé, na maioria das vezes construída contra uma parede.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em regiões mais frias (como a Escandinávia), as pessoas construíam &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2008/12/sunbathing-in-the-living-room-oven-stoves-and-heat-walls/&#34;&gt;fogões de cerâmica&lt;/a&gt; mais eficientes em termos energéticos, enquanto em climas mais amenos (como os próximos do Mediterrâneo), as pessoas continuavam a usar braseiras—cestos metálicos portáteis nos quais se queimava carvão vegetal. Nos séculos XVIII e XIX, as lareiras começaram a ser substituídas por fogões de metal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fogo permaneceu central no lar até ao século XX, quando foi substituído por uma vasta gama de aparelhos ligados a infraestruturas centralizadas. Hoje em dia, nas sociedades industrializadas, mesmo os fogões a lenha tornaram-se raros em casas. A queima a céu aberto tem sido praticamente proibida, especialmente nas cidades. Os novos edifícios já não têm lareiras, chaminés, nem uma abertura no telhado.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;O fogo permaneceu central no lar até ao século XX, quando foi substituído por uma vasta gama de aparelhos ligados a infraestruturas centralizadas.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;«Paradoxalmente», escreve Luis Fernández-Galiano em &lt;em&gt;Fire and Memory: On Architecture and Energy&lt;/em&gt;, «as habitações que começaram como lugares para promover o fogo, hoje evitam a queima aberta».&lt;sup id=&#34;fnref:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Em &lt;em&gt;Fire: A Brief History&lt;/em&gt;, Stephen J. Pyne observa que: «Os residentes urbanos podem passar anos sem ver um fogo. Aparece sobretudo por acidente ou fogo posto, e quase sempre como um perigo».&lt;sup id=&#34;fnref:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, o fogo está longe de ter desaparecido. Milhares de fogos individuais em casas foram substituídos por alguns fogos gigantescos em centrais elétricas. E o fogo também arde noutros locais. «Na nossa economia de abundância», escreve Stephen J. Pyne, «o fogo está no centro da magia—em fábricas, automóveis, casas e centrais elétricas&amp;hellip; As cidades modernas continuam a ser ecossistemas propulsionados pelo fogo&amp;hellip; Se a combustão parar a cidade para também. Mas o fogo a céu aberto desapareceu. Como um buraco negro no espaço, o fogo moldou tudo à sua volta sem ser, ele próprio, visível».&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A industrialização apenas alterou a combustão, não a aboliu. Mais importante ainda, o fogo começou a utilizar outra fonte de energia: os combustíveis fósseis em vez da biomassa. Até ao século XX, quase todos os fogos de origem humana eram produto de fontes de energia renováveis: madeira, relva e estrume. Turfa e algumas utilizações iniciais do carvão eram as exceções.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;fogo-versus-eletricidade&#34;&gt;Fogo versus Eletricidade&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A nível mundial, alguns milhares de milhões de pessoas ainda vivem em lares construídos em função de um fogo, muitas vezes sob a forma de uma lareira aberta. Algumas pessoas no mundo ocidental consideram-na uma prática retrógrada e primitiva que precisa de ser abolida—apesar de se basear na utilização de fontes de energia renováveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo, em 2011, a ONU e o Banco Mundial lançaram a iniciativa &lt;a href=&#34;https://www.seforall.org/&#34;&gt;&lt;em&gt;Energia Sustentável para Todos&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, com o objetivo de «assegurar o acesso universal a serviços energéticos modernos» até 2030. &lt;sup id=&#34;fnref:5&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:5&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;5&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; O conceito de &amp;ldquo;serviços energéticos modernos&amp;rdquo; é vago, mas refere-se essencialmente à utilização da eletricidade e do gás—portanto, na prática, à utilização de combustíveis fósseis.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;«Os habitantes dos centros urbanos veem o fogo como algo que outras tecnologias mais avançadas podem substituir».&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Iniciativas como esta implicam que &amp;ldquo;os serviços energéticos modernos&amp;rdquo; são &amp;ldquo;melhores&amp;rdquo; do que a tradicional fogueira ou lareira aberta. «Os habitantes dos centros urbanos veem o fogo como algo que outras tecnologias mais avançadas podem substituir», escreve Stephen J. Pyne. «Se o fogo é um instrumento, eles querem-no modernizado, sem chamas e sem fumo».&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Exemplos de tais modernizações sem chama e sem fumo são os painéis solares fotovoltaicos e os aerogeradores de hoje em dia, que supostamente acabam com a nossa dependência dos fogos alimentados por combustíveis fósseis para produzir &amp;ldquo;serviços energéticos modernos&amp;rdquo;. No entanto, como é que as lareiras abertas e os &amp;ldquo;serviços energéticos modernos&amp;rdquo;—incluindo os baseados em fontes de energia renováveis—se comparam em termos de eficiência, sustentabilidade, saúde e segurança? O que estamos realmente a dizer quando argumentamos que a eletricidade ou o gás são &amp;ldquo;melhores&amp;rdquo; do que uma fogueira tradicional?&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;a-versatilidade-do-fogo&#34;&gt;A Versatilidade do Fogo&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Uma razão pela qual as pessoas em sociedades industrializadas consideram o fogo como algo pouco eficiente e insustentável é porque simplesmente não sabem como os seus antepassados o usavam. Se hoje em dia o fogo é considerado ineficaz é porque medimos apenas a eficiência de uma das suas funções, normalmente o aquecimento de um espaço. No entanto, os nossos antepassados não usavam o fogo apenas para se aquecerem. Usavam-no também para cozinhar, iluminação, conservar alimentos, aquecer água, secar roupa e para proteção contra predadores e insetos, entre outras coisas.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2019/12/too-much-combustion-too-little-fire/images/dithers/hairdryer_dithered.png&#34; alt=&#39;Ilustração: Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Ilustração: [Diego Marmolejo](https://www.instagram.com/ddidak/).  
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;O fogo é extremamente versátil, é difícil dizer quais das suas funcionalidades eram mais valorizadas pelos nossos antepassados. Portanto, se medirmos o consumo de energia de uma lareira e o compararmos com tecnologia moderna, não devemos compará-lo apenas a um sistema de aquecimento ou a um fogão, mas sim com o consumo de energia de toda a habitação.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;cozinhar-com-fogo&#34;&gt;Cozinhar com Fogo&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Visto apenas como um forma de cozinhar, o fogo pode acomodar uma ampla variedade de métodos de confeção de alimentos e substituir um elevado número de utensílios de cozinha modernos. O fogo funciona não só como um fogão mas também como um forno. Para assar e grelhar, a comida era colocada no espeto que rodava sobre chamas. A cozedura do pão ou outros produtos era feita num contentor de barro (um &amp;ldquo;forno Neerlandês&amp;rdquo;) colocado nas brasas de uma lareira. Em alternativa, era construído um forno separado para a cozedura nas traseiras da lareira, ou como uma estrutura independente no exterior da casa. Para cozer em água e fritar usava-se uma panela pendurada por cima do fogo.&lt;sup id=&#34;fnref:6&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:6&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;6&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:7&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:7&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;7&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As funções de muitos pequenos eletrodomésticos de cozinha também eram possíveis de fazer com fogo. Por exemplo, pode-se pensar que as pessoas começaram a comer torradas quando a torradeira elétrica apareceu no século XX, mas antes disso simplesmente seguravam um &amp;ldquo;garfo de tostar&amp;rdquo; com um pedaço de pão sobre o fogo. Do mesmo modo, a preparação rápida de bebidas quentes não começou com a invenção da chaleira elétrica; anteriormente, as pessoas imergiam uma ferramenta de ferro incandescente num copo, produzindo bebidas quentes numa questão de segundos. &lt;sup id=&#34;fnref:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Visto apenas como um forma de cozinhar, o fogo pode acomodar uma ampla variedade de métodos de confeção de alimentos e substituir um elevado número de aparelhos de cozinha modernos.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;O fogo também substituía os atuais frigoríficos e congeladores. Em &lt;em&gt;The Food Axis: Cooking, eating, and the architecture of American houses&lt;/em&gt;, Elizabeth Collins Cromley descreve como a carne e o peixe eram suspensos durante várias semanas no fumo de uma fogueira para os preservar durante mais tempo.&lt;sup id=&#34;fnref1:6&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:6&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;6&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Na sua forma mais simples, os nossos antepassados penduravam as suas peças de carne ou peixe na chaminé da cozinha ou—se não houvesse chaminé—por cima da lareira, suspensas do teto. A fumagem do peixe e da carne também podia ser feita numa câmara própria para o efeito, esta era anexada à lareira da cozinha, ou construída a partir da chaminé na cave ou no sótão. O fumeiro podia também ser um edifício separado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outros métodos variados de conservação de alimentos estavam dependentes do fogo. As frutas, legumes e ervas aromáticas eram secas pelo fogo se o clima local não fosse suficientemente soalheiro. A adição de açúcar aos frutos e o fabrico de manteiga e queijo dependia do calor de uma fogueira. O sal, essencial para a conservação dos alimentos, era guardado numa caixa pendurada próxima da lareira para o manter seco. &lt;sup id=&#34;fnref2:6&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:6&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;6&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;distribuindo-calor-e-luz&#34;&gt;Distribuindo Calor e Luz&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O fogo não produz apenas calor e fumo—também produz luz. Como fonte de luz, o fogo era tão versátil como a iluminação elétrica atual. A luz de um fogo não se encontrava apenas na lareira, mas também em tochas, lanternas e, mais tarde, velas e lamparinas de azeite. &lt;sup id=&#34;fnref:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;O calor do fogo também podia ser distribuído por toda a casa. Embora a cozinha fosse normalmente o único espaço da casa aquecido, as brasas do fogo podiam ser colocadas em aparelhos de aquecimento portáteis, &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2015/02/restoring-the-old-way-of-warming-heating-people-not-places/&#34;&gt;como aquecedores de pés (ou escalfetas) e aquecedores de cama&lt;/a&gt;. &lt;sup id=&#34;fnref:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fogo também era utilizado para aquecer água para limpezas e lavagens, uma prática que continuou quando apareceram os fogões a lenha de ferro fundido—muitos deles tinham tanques para guardar água quente. Além disso, o fogo dava conta da secagem da roupa, substituindo as atuais máquinas de secar a roupa. As pessoas não começaram a engomar a roupa só quando surgiu o ferro elétrico. Desde a Idade Média, que os nossos antepassados usavam ferros de metal simples que eram aquecidos junto a um lareira ou num fogão, ou um &amp;ldquo;ferro de engomar a carvão&amp;rdquo;, que continha brasas no seu interior—alguns deles tinham uma pequena chaminé para manter o cheiro a fumo longe das roupas. &lt;sup id=&#34;fnref:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Desde a Idade Média, que os nossos antepassados usavam ferros de metal simples que eram aquecidos junto a um lareira ou num fogão.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Havia também a função do fogo como ponto focal de comunicação e de convívio. Durante milhares de anos, a lareira foi o «antigo foco de conversa e a alma crepitante da casa». As televisões e os telemóveis assumiram estes papéis, embora seja duvidoso que tenham o mesmo apelo que um fogueira. Uma série de produtos eletrónicos que imitam os efeitos do fogo—velas e lareiras elétricas, lâmpadas LED com emitam o tremeluzir de uma chama, vídeos de fogueiras crepitantes—parecem indicar que os humanos têm saudades do fogo.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;sustentabilidade-e-eficiência&#34;&gt;Sustentabilidade e Eficiência&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Numa casa construída em torno de uma lareira, a confeção de bebidas quentes e torradas, a secagem da roupa ou a iluminação do espaço não aumenta o consumo de energia da lareira: simplesmente faz um uso mais eficiente do fogo que já existe para outros fins—como o aquecimento de um espaço. Para alcançar o mesmo resultado hoje em dia, temos de ligar vários aparelhos, e todos eles requerem um uso extra de energia: o sistema de aquecimento, o aquecedor de imersão, a torradeira elétrica, a máquina de secar roupa e as luzes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, devemos também ter em conta a exploração mineira e a utilização de energia necessária para substituir uma lareira por dezenas de aparelhos produzidos em fábricas, que têm todos de ser distribuídos aos consumidores individuais. Por último, devemos considerar a energia e os materiais necessários para construir e manter as infraestruturas de que estes aparelhos dependem para funcionar, como a rede elétrica e de gás ou a cadeia de refrigeração. Pelo contrário, uma lareira pode ser construída localmente com materiais facilmente disponíveis, e funciona independentemente de infraestruturas centralizadas.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2019/12/too-much-combustion-too-little-fire/images/dithers/plancha_dithered.png&#34; alt=&#39;Ilustração: Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Ilustração: [Diego Marmolejo](https://www.instagram.com/ddidak/).  
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;As atuais centrais de energias renováveis, como os painéis solares fotovoltaicos ou os aerogeradores, não abordam devidamente a questão energética: também precisam de ser fabricadas, transportadas, mantidas e descartadas, e implicam que podemos continuar a conceber, produzir e descartar uma gama cada vez maior de eletrodomésticos de forma a satisfazer as nossas necessidades. A eletricidade da biomassa também não tornaria este sistema sustentável: embora elimine a utilização de combustíveis fósseis, perde-se muita energia no processo de conversão da biomassa em eletricidade, e ainda precisamos de fábricas para produzir os aparelhos elétricos e as infraestruturas.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;comparação-do-consumo-de-energia-habitações-tradicionais-versus-modernas&#34;&gt;Comparação do Consumo de Energia: Habitações Tradicionais versus Modernas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Se considerarmos a utilização de energia nas habitações europeias de hoje, vemos que, em média, 64% de toda a energia vai para o aquecimento de espaços, 15% para o aquecimento de água, 14% para as luzes e eletrodomésticos, 5% para cozinhar e 1% para outros serviços (incluindo a refrigeração). &lt;sup id=&#34;fnref:13&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:13&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;13&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; A maioria destes serviços podem ser fornecidos pelo fogo. Então, como se compara a utilização de energia de uma casa tradicional com lareira com a de uma casa moderna construída em torno de eletrodomésticos e infraestruturas?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Obviamente, o consumo de energia de casas modernas está mais bem documentado do que o dos edifícios e abrigos de tempos passados. No entanto, há estudos que documentam a utilização de energia de casas que ainda dependem de um fogo tradicional.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Se medirmos o uso de energia de uma lareira e o compararmos  a tecnologia moderna, essa comparação deve ser feita ao nível de toda a habitação.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Um estudo de 2002 sobre o consumo de lenha em casas tradicionais no Nepal mediu o consumo anual de lenha por família entre 6 e 33 m3, o que corresponde a 35–165 Gigajoule (GJ) de energia. &lt;sup id=&#34;fnref:14&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:14&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;14&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:15&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:15&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;15&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:16&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:16&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;16&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Este valor parece bastante elevado quando comparado com o consumo total de energia nas habitações contemporâneas, que é de cerca de 75 GJ por ano na Alemanha e cerca de 105 GJ no Canadá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, a média dos agregados familiares nepaleses que participaram no estudo foi de 5 a 12 pessoas, enquanto os agregados familiares nas sociedades modernas diminuíram para pouco mais de duas pessoas. Nas famílias nepalesas deste estudo, a utilização de energia situava-se entre 2 e 33 GJ &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt;, enquanto outro estudo, mais recente, sobre o consumo de lenha para aquecimento, cozinha e iluminação no Nepal calcula uma utilização &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt; anual de 2,5 a 10 GJ.&lt;sup id=&#34;fnref:17&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:17&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;17&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:18&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:18&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;18&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Em comparação, o consumo total de energia doméstica per capita é de cerca de 30 a 40 GJ em países como os Países Baixos, a Alemanha e o Canadá.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;10-mil-milhões-de-pessoas-à-volta-da-fogueira&#34;&gt;10 Mil Milhões de Pessoas à Volta da Fogueira&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Mesmo sem ter em conta os recursos adicionais necessários para construir eletrodomésticos e infraestruturas, o consumo de energia numa habitação pré-industrial parece ter sido significativamente inferior ao que é atualmente. De facto, um cálculo rápido revela que—pelo menos em teoria—10 mil milhões de pessoas a utilizar uma lareira aberta como única fonte de energia seria uma prática perfeitamente sustentável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Assumindo um consumo médio de lenha de 6 m3 &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt;, precisaríamos de 60 mil milhões de metros cúbicos de madeira por ano. Um metro cúbico de madeira requer um rendimento anual de 0,2 ha de talhadia, sendo assim precisamos de 12 mil milhões de ha ou 120 milhões de quilómetros quadrados de floresta, se quisermos evitar desflorestação. Isto é três vezes mais do que temos hoje, e cerca de 80% da superfície terrestre do nosso planeta (150 milhões de quilómetros quadrados).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como não precisamos de espaço extra para fábricas e estradas para distribuir bens de consumo, na verdade poderíamos voltar a usar lareiras sem destruir o nosso ambiente. O mesmo não se pode dizer se 10 mil milhões de pessoas continuarem a utilizar combustíveis fósseis e infraestruturas modernas.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;saúde-versus-sustentabilidade&#34;&gt;Saúde versus Sustentabilidade&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Se não pela sua sustentabilidade ou eficiência, então porque consideramos os &amp;ldquo;serviços energéticos modernos&amp;rdquo; superiores a um fogo tradicional? A supressão do fogo aberto nas cidades modernas é apoiada por dois argumentos adicionais: o fogo não é saudável (produz poluição atmosférica) e é perigoso (comporta o risco de um incêndio incontrolável). Estes riscos são reais, mas como é que o fogo se compara aos &amp;ldquo;serviços energéticos modernos&amp;rdquo; em termos de saúde e segurança?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não há dúvida de que a substituição das lareiras por infraestruturas modernas melhorou a qualidade do ar, a saúde e a segurança nas cidades. No entanto, este pode ser apenas um ganho temporário: as infraestruturas modernas são pelo menos tão perigosas para a segurança e a saúde devido à sua dependência dos combustíveis fósseis.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Como é que o fogo se compara aos &amp;ldquo;serviços energéticos modernos&amp;rdquo; em termos de saúde e segurança?&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo, as ondas de calor e os incêndios florestais que assolam a Austrália enquanto eu escrevo este artigo, estão a matar pessoas e a destruir propriedades, e estão a produzir fumo espesso que continua a cobrir algumas das maiores cidades. Estes incêndios não são causados por pessoas que utilizam lareiras. São uma consequência das alterações climáticas, que são principalmente causadas pela utilização de infraestruturas industriais—alimentadas por combustíveis fósseis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A forte dependência em infraestruturas centrais para tantas necessidades vitais é outro risco para a saúde e a segurança: cortando o fornecimento de energia a uma grande cidade quase tudo deixa de funcionar—incluindo a rede de esgotos, o armazenamento de alimentos e os alarmes antirroubo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A nossa visão problemática e antiquada do fogo antiquado surge, em parte, da conjugação de dois conceitos distintos: &amp;ldquo;saúde&amp;rdquo; e &amp;ldquo;sustentabilidade&amp;rdquo;. De facto, algo pode ser saudável, seguro e sustentável ao mesmo tempo, como caminhar—a menos que que não haja calçada. Mas algo também pode ser saudável e seguro mas não muito sustentável (como um frigorífico, porque depende de uma cadeia de refrigeração de alta intensidade energética), e algo pode ser sustentável mas não muito saudável ou seguro (como um fumeiro para carne e peixe numa cave).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Saúde e longevidade são coisas que nós, como indivíduos, &amp;ldquo;precisamos&amp;rdquo;, queremos, desejamos ou nos sentimos intitulados a ter. Tal como nos sentimos intitulados a certos níveis de conforto, conveniência, rapidez ou asseio. Por outro lado, definir sustentabilidade exige que questionemos que níveis de conforto humano, conveniência, asseio, velocidade, segurança e saúde o nosso ambiente pode suportar antes que colapse. Podemos escolher segurança e saúde em detrimento da sustentabilidade quando estão em conflito entre si, mas apenas à custa da segurança e saúde das gerações mais jovens e futuras.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;footnotes&#34; role=&#34;doc-endnotes&#34;&gt;
&lt;hr&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id=&#34;fn:1&#34;&gt;
&lt;p&gt;Roebroeks, Wil, and Paola Villa. &amp;ldquo;On the earliest evidence for habitual use of fire in Europe.&amp;rdquo;. &lt;em&gt;Proceedings of the National Academy of Sciences&lt;/em&gt; 108.13 (2011): 5209-5214.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:2&#34;&gt;
&lt;p&gt;Berna, Francesco, et al. &amp;ldquo;Microstratigraphic evidence of in situ fire in the Acheulean strata of Wonderwerk Cave, Northern Cape province, South Africa.&amp;rdquo; &lt;em&gt;Proceedings of the National Academy of Sciences&lt;/em&gt; 109.20 (2012): E1215-E1220.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:3&#34;&gt;
&lt;p&gt;Fernández, Guillén, and Luis Fernández-Galiano. &lt;em&gt;Fire and memory: on architecture and energy.&lt;/em&gt; Mit Press, 2000.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:4&#34;&gt;
&lt;p&gt;Pyne, Stephen J. &lt;em&gt;Fire: a brief history.&lt;/em&gt; University of Washington Press, 2019.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:5&#34;&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&#34;https://www.seforall.org&#34;&gt;https://www.seforall.org&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:5&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:6&#34;&gt;
&lt;p&gt;Collins Cromley, Elizabeth. &lt;em&gt;The food axis: cooking, eating, and the architecture of American houses.&lt;/em&gt; University of Virginia Press, 2010.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:6&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:6&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:6&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:7&#34;&gt;
&lt;p&gt;Ao contrário dos fogões e fornos eléctricos ou a gás actuais, um fogo não tem botões para controlar a sua temperatura. Para ferver e fervilhar, penduravam-se as panelas num pequeno guindaste que permitia levantar ou baixá-las. Nos fornos, os cozinheiros decidiam cozer primeiro tartes ou pão, enquanto o forno estava o mais quente possível, depois, sucessivamente à medida que o forno arrefecia, pão de gengibre, cremes, depois os grãos podiam ser colocados a secar. [6]&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:7&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:8&#34;&gt;
&lt;p&gt;Marcoux, Paula. &lt;em&gt;Cooking with fire: From roasting on a spit to baking in a tannur, rediscovered techniques and recipes that capture the flavors of wood-fired cooking.&lt;/em&gt; Storey Publishing, 2014.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:9&#34;&gt;
&lt;p&gt;Hough, Walter. Fire as an agent in human culture. No. 139. Govt. print. Off., 1926.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:10&#34;&gt;
&lt;p&gt;A fonte de energia para estas chamas espalhadas era madeira, resina, cera, gordura, graxa ou óleo. As necessidades de concentração e posicionamento especial da fonte de iluminação estimularam a invenção de pegas, braquetes e bases. [9]&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:11&#34;&gt;
&lt;p&gt;Heating people, not spaces: restoring the old way of warming, Kris De Decker, Low-tech Magazine, 2016.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:12&#34;&gt;
&lt;p&gt;History of ironing, Old &amp;amp; Interesting, retrieved December 26, 2019.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:13&#34;&gt;
&lt;p&gt;Energy consumption and use by households, Eurostat, 2019.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:13&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:14&#34;&gt;
&lt;p&gt;Rijal, H. B., and H. Yoshida. &amp;ldquo;Investigation and evaluation of firewood consumption in traditional houses in Nepal.&amp;rdquo; &lt;em&gt;Proceedings: Indoor Air (2002)&lt;/em&gt;: 1000-1005.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:14&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:15&#34;&gt;
&lt;p&gt;O valor energético de 1 m3 de madeira depende também do tipo de madeira e da forma como esta é empilhada. Comparei maçãs com maçãs enquanto foi possível, mas nem sempre foi o caso, pelo que o resultado é apenas uma estimativa aproximada.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:15&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:16&#34;&gt;
&lt;p&gt;A utilização anual de lenha na Áustria do século XVIII (Caríntia) era limitada a 35 m3 por agregado familiar. Fonte: Peter, Sieferle Rolf. &lt;em&gt;A floresta subterrânea&lt;/em&gt;. Cambridge: The White Horse Press, 2001.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:16&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:17&#34;&gt;
&lt;p&gt;Rijal, Hom Bahadur. &amp;ldquo;Firewood Consumption in Nepal.&amp;rdquo; Sustainable Houses and Living in the Hot-Humid Climates of Asia. Springer, Singapore, 2018. 335-344.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:17&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:18&#34;&gt;
&lt;p&gt;Os resultados são de 0,5 a 2 m3 de firewoord &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt; por ano, que converti para 2,5 a 10 GJ de energia &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt; por ano.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:18&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/div&gt;
</description>
    </item>
    
  </channel>
</rss>
