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    <title>LOW←TECH MAGAZINE Português</title>
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    <description>Este site é movido a energia solar, o que significa que, às vezes, ele fica fora do ar.</description>
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      <title>Quão circular é a economia circular?</title>
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      <pubDate>Sat, 03 Nov 2018 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/11/how-circular-is-the-circular-economy/images/dithers/circular-economy-2_dithered.png&#34; alt=&#39;Imagem: ilustração por Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Imagem: ilustração por [Diego Marmolejo](https://www.behance.net/diegomarmolejo). 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;A economia circular – a mais nova palavra mágica do vocabulário do desenvolvimento sustentável – promete crescimento econômico sem destruição ou desperdício. No entanto, o conceito se concentra apenas em uma pequena parte do uso total dos recursos e não considera as leis da termodinâmica.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;apresentando-a-economia-circular&#34;&gt;Apresentando a economia circular&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;E economia circular se tornou, para muitos governos, instituições, companhias e organizações ambientalistas, um dos principais componentes de um plano para reduzir as emissões de carbono. Na economia circular, os recursos seriam continuamente reutilizados, o que significa a extinção da atividade mineradora e da produção de resíduos. A ênfase está na reciclagem, tornada possível pelo design de produtos que possam ser facilmente desmontados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A atenção também se volta para o desenvolvimento de uma “cultura de consumo alternativa”. Na economia circular, nós não teríamos produtos, nós “pegaríamos emprestado”. Por exemplo: um cliente não pagaria pelas lâmpadas, mas pela iluminação, enquanto a companhia seria dona das lâmpadas e cobraria a conta de luz. Um produto se torna um serviço, e acredita-se que isso incentivaria as empresas a aumentarem o tempo de vida e a reciclabilidade dos produtos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A economia circular é tida como uma alternativa à “economia linear” – um termo que foi cunhado pelos proponentes da circularidade e que se refere ao fato de que sociedades industriais transformam recursos valiosos em lixo. No entanto, por mais que não haja dúvidas de que o modelo industrial atual seja insustentável, a questão é quão diferente a economia supostamente circular seria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diversos estudos científicos (ver referências) descrevem o conceito como uma “visão idealizada”, uma  “mistura de várias ideias de diferentes domínios”, ou uma “ideia vaga baseada em conceitos pseudocientíficos”. Há três pontos críticos principais, que discutimos abaixo.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;muito-complexo-para-reciclar&#34;&gt;Muito complexo para reciclar&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A primeira falha de credibilidade na economia circular é o fato de que o processo de reciclagem de produtos modernos está muito longe de ser 100% eficiente. Uma economia circular não tem nada de novo. Na idade média, roupas velhas eram transformadas em papel, sobras de comida eram dadas a galinhas e porcos, e novas construções eram feitas a partir dos restos de construções antigas. A diferença entre este e aquele tempo são os recursos utilizados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes da industrialização, quase tudo era feito de materiais que ou eram compostáveis – como madeira, juncos ou cânhamo – ou fáceis de reciclar ou reutilizar – como ferro e tijolos. Produtos modernos são compostos por uma diversidade muito maior de (novos) materiais, que em sua maioria não são compostáveis e também não são facilmente recicláveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo: um estudo recente do Fairphone 2 modular – um &lt;em&gt;smartphone&lt;/em&gt; projetado para ser reciclável e ter uma vida útil mais longa – mostra que o uso de materiais sintéticos, microchips e baterias faz com que o fechamento do círculo seja impossível. Somente 30% dos materiais usados no Fairphone 2 podem ser recuperados. Um estudo sobre luzes de LED teve um resultado semelhante.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;O uso de materiais sintéticos, microchips e baterias em larga escala torna impossível o fechamento do círculo.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Quanto mais complexo um produto, mais passos e processos são necessários para reciclá-lo. Em cada passo desse processo, recursos e energia são perdidos. Além disso, no caso de produtos eletrônicos, o próprio processo de produção é &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2009/06/the-monster-footprint-of-digital-technology/&#34;&gt;muito mais intensivo no uso de recursos&lt;/a&gt; do que a extração do material bruto, o que significa que a reciclagem do produto final só recupera uma fração dos recursos utilizados. E mesmo que alguns plásticos estejam, de fato, sendo reciclados, esse processo só produz materiais inferiores (“&lt;em&gt;downcycling&lt;/em&gt;”), que entram no fluxo de descarte logo em seguida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A baixa eficiência do processo de reciclagem é suficiente para tirar o chão do conceito de economia circular: a perda de recursos durante o processo de reciclagem sempre necessita ser compensado com mais extração excessiva de recursos do planeta. Os processos de reciclagem vão melhorar, mas a reciclagem é sempre uma escolha entre a máxima recuperação do material e o mínimo uso de energia. E isso nos leva ao próximo ponto.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;como-reciclar-fontes-de-energia&#34;&gt;Como reciclar fontes de energia?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A segunda falha de credibilidade na economia circular é o fato de que 20% do total dos recursos usados mundialmente são combustíveis fósseis. Mais de 98% disso é queimado como fonte de energia e não pode ser reutilizado ou reciclado. No melhor dos casos, o excesso de calor da geração de eletricidade, por exemplo, pode ser usado para substituir outras fontes de aquecimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conforme a energia é transferida ou transformada, sua qualidade diminui (segunda lei da termodinâmica), Por exemplo: é impossível operar um carro com o excesso de calor de outro. Consequentemente, sempre haverá necessidade de extrair mais combustível fóssil. Além disso, reciclar materiais também demanda energia, tanto pelo processo de reciclagem, quanto pelo transporte dos materiais reciclados e recicláveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para isso, os defensores da economia circular têm uma resposta: vamos mudar para 100% de energia renovável. Mas isso não torna o círculo redondo: para construir e manter usinas de energia renovável e suas infraestruturas, &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2017/09/how-not-to-run-a-modern-society-on-solar-and-wind-power-alone/&#34;&gt;também precisamos de recursos&lt;/a&gt; (energéticos e materiais). Mais do que isso, tecnologias para coletar e armazenar energia renovável dependem de materiais que são difíceis de reciclar. É por isso que painéis solares, turbinas eólicas e baterias de íon de lítio não são reciclados, mas depositados em aterros ou incinerados.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;a-entrada-excede-a-saída&#34;&gt;A entrada excede a saída&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A terceira falha de credibilidade na economia circular é a maior: o uso de recursos globais – tanto energéticos quanto materiais – continua a aumentar ano a ano. O uso de recursos cresceu 1400% no último século: de 7 gigatons (Gt) em 1900 para 62 Gt em 2005 e 78 Gt em 2010. Esse é um crescimento médio de 3% ao ano – mais que o dobro da taxa de crescimento populacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O crescimento torna a economia circular impossível, mesmo que todos os materiais brutos fossem reciclados e toda a reciclagem fosse 100% eficiente. A quantidade de materiais usados que podem ser reciclados será sempre menor que a de materiais necessários ao crescimento. Para compensar isso, temos que extrair recursos continuamente.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;O crescimento torna a economia circular impossível, mesmo que todos os materiais brutos fossem reciclados e toda a reciclagem fosse 100% eficiente.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;A diferença entre a demanda e a oferta é maior do que você pode estar pensando. Se olharmos para ciclos de vida completos dos recursos, torna-se nítido que os proponentes da economia circular só se concentram em uma parte muito pequena do sistema e compreendem muito mal o seu funcionamento.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;acúmulo-de-recursos&#34;&gt;Acúmulo de recursos&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Um segmento considerável de todos os recursos – aproximadamente um terço do total – não é reciclado, incinerado ou descartado: ele é acumulado em construções, infraestrutura e bens de consumo. Em 2005, 65 Gt de recursos foram usados em todo o mundo. Após subtrair fontes de energia (combustíveis fósseis e biomassa) e resíduos do setor de mineração, os 30 Gt restantes foram usados para fazer bens materiais. Destes, 4 Gt foram usados para fazer produtos que duram por menos de um ano (descartáveis).&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img  vertical&#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/11/how-circular-is-the-circular-economy/images/dithers/circular-economy-diego_dithered.png&#34; alt=&#39;Imagem: ilustração de Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Imagem: ilustração de [Diego Marmolejo](https://www.behance.net/diegomarmolejo). 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Os outros 26 Gt foram acumulados em construções, infraestrutura e bens de consumo que duram mais de um ano. No mesmo ano, 9 Gt de todos os recursos excedentes foram descartados, o que significa que o “estoque” de capital material cresceu 17 Gt em 2005. Em comparação, o total de resíduos que poderiam ser reciclados em 2005 era de apenas 13 Gt (4 Gt de produtos descartáveis e 9 Gt de recursos excedentes), dos quais apenas um terço (4 Gt) podem ser efetivamente reciclados.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Aproximadamente um terço de todos os recursos não é reciclado, incinerado ou descartado: ele é acumulado em construções, infraestrutura e bens de consumo.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Apenas 9 Gt é, então, enviado a aterros, incinerado ou descartado – e é nesses 9 Gt que a economia circular se concentra. Mas mesmo que tudo isso fosse reciclado, e que o processo de reciclagem fosse 100% eficiente, o círculo ainda não fecharia: 63 Gt de matéria bruta e 30 Gt de produtos ainda seriam necessários.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto continuarmos a acumular materiais brutos, o fechamento do ciclo de vida dos materiais será uma ilusão, mesmo para materiais que sejam, a princípio, recicláveis. Por exemplo: metais reciclados só fornecem 36% da demanda anual de metais novos, mesmo que os metais tenham uma alta capacidade de reciclagem, de quase 70%. Nós ainda usamos mais materiais brutos no sistema do que pode ser disponibilizado através da reciclagem – então simplesmente não há materiais brutos recicláveis suficientes para parar a economia extrativista que continua a expandir.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;a-verdadeira-face-da-economia-circular&#34;&gt;A verdadeira face da economia circular&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Um uso mais responsável dos recursos é, obviamente, uma ideia excelente. Mas, para alcançá-lo, somente reciclar e reutilizar não é o suficiente. Considerando que 71% de todos os recursos não pode ser reciclado ou reutilizado (44% deles são fontes de energia e 27% são adicionados aos estoques existentes), só se pode obter números melhores &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2018/01/how-much-energy-do-we-need/&#34;&gt;reduzindo o uso total&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma economia circular demandaria, portanto, que usássemos menos combustíveis fósseis (o que não é o mesmo que usar mais energias renováveis) e que acumulássemos menos matéria bruta em mercadorias. E o mais importante é que precisamos fazer menos coisas: menos carros, menos microchips, menos construções. Isso resultaria no dobro de lucro: precisaríamos de menos recursos, enquanto a oferta de materiais descartados disponíveis para reutilização e reciclagem continuaria crescendo por muitos anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Parece pouco provável que os proponentes da economia circular aceitariam essas condições adicionais. O conceito da economia circular tem a intenção de alinhar sustentabilidade e crescimento econômico – em outras palavras, mais carros, mais microchips, mais construções. Por exemplo: a União Europeia declara que a economia circular irá “alimentar o crescimento econômico sustentável”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Até os objetivos limitados da economia circular – reciclagem total de uma fração dos recursos – demanda uma condição extra que seus proponentes provavelmente não vão aceitar: que tudo seja novamente feito com madeira e metais simples, sem utilizar materiais sintéticos, semicondutores, baterias de íon de lítio ou materiais compostos.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;referências&#34;&gt;Referências:&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Haas, Willi, et al. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/jiec.12244&#34;&gt;How circular is the global economy?: An assessment of material flows, waste production, and recycling in the European Union and the world in 2005&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; Journal of Industrial Ecology 19.5 (2015): 765-777.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Murray, Alan, Keith Skene, and Kathryn Haynes. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://link.springer.com/article/10.1007/s10551-015-2693-2&#34;&gt;The circular economy: An interdisciplinary exploration of the concept and application in a global context&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; Journal of Business Ethics 140.3 (2017): 369-380.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gregson, Nicky, et al. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03085147.2015.1013353&#34;&gt;Interrogating the circular economy: the moral economy of resource recovery in the EU&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; Economy and Society 44.2 (2015): 218-243.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Krausmann, Fridolin, et al. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://www.pnas.org/content/early/2017/01/31/1613773114.short&#34;&gt;Global socioeconomic material stocks rise 23-fold over the 20th century and require half of annual resource use&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; Proceedings of the National Academy of Sciences (2017): 201613773.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Korhonen, Jouni, Antero Honkasalo, and Jyri Seppälä. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://link.springer.com/article/10.1007/s10551-015-2693-2&#34;&gt;Circular economy: the concept and its limitations&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; Ecological economics 143 (2018): 37-46.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fellner, Johann, et al. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://www.cec4europe.eu/fileadmin/user_upload/documents/Fellner_et_al_2017_%20JIEC_Present_Potentials_and_Limitations_of_a_Circular%20Economy%20with%20Respect%20to%20Primary%20Material%20Demand.pdf&#34;&gt;Present potentials and limitations of a circular economy with respect to primary raw material demand&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; Journal of Industrial Ecology 21.3 (2017): 494-496.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reuter, Markus A., Antoinette van Schaik, and Miquel Ballester. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://www.researchgate.net/profile/Markus_Reuter3/publication/323855448_Limits_of_the_Circular_Economy_Fairphone_Modular_Design_Pushing_the_Limits/links/5b1b6ab0a6fdcca67b6721e4/Limits-of-the-Circular-Economy-Fairphone-Modular-Design-Pushing-the-Limits.pdf&#34;&gt;Limits of the Circular Economy: Fairphone Modular Design Pushing the Limits&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; 2018&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reuter, M. A., and A. Van Schaik. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://link.springer.com/article/10.1007/s40831-014-0006-0&#34;&gt;Product-Centric Simulation-based design for recycling: case of LED lamp recycling&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; Journal of Sustainable Metallurgy 1.1 (2015): 4-28.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reuter, Markus A., Antoinette van Schaik, and Johannes Gediga. &amp;ldquo;&lt;a href=&#34;https://link.springer.com/article/10.1007/s11367-015-0860-4&#34;&gt;Simulation-based design for resource efficiency of metal production and recycling systems: Cases-copper production and recycling, e-waste (LED lamps) and nickel pig iron&lt;/a&gt;.&amp;rdquo; The International Journal of Life Cycle Assessment 20.5 (2015): 671-693.&lt;/p&gt;
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    </item>
    
    <item>
      <title>Não conseguiremos sozinhos</title>
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      <pubDate>Thu, 05 Jul 2018 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/07/we-can-t-do-it-ourselves/images/dithers/WE-CANT-DO-IT-OURSELVES_dithered.png&#34; alt=&#39;Ilustração por Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Ilustração por [Diego Marmolejo](https://www.behance.net/diegomarmolejo). 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Como viver uma vida mais sustentável? Essa pergunta gera muitos debates em torno do que um indivíduo pode fazer para lidar com problemas como as mudanças climáticas. Por exemplo: as pessoas são encorajadas a consumir localmente, comprar alimentos orgânicos, instalar isolamento térmico em suas casas e pedalar com mais frequência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas quão efetivas são as ações individuais quando o assunto é a necessidade de uma mudança social sistêmica? Indivíduos fazem escolhas, de fato, mas estas são facilitadas ou dificultadas pela sociedade na qual vivem. Assim, pode ser mais útil questionar o sistema que exige que muitos de nós viajem e consumam energia da maneira como fazemos.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;políticas-em-matéria-de-alterações-climáticas&#34;&gt;Políticas em matéria de alterações climáticas&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Políticas que tratam de mudanças climáticas e outros problemas ambientais são de três tipos: políticas de descarbonização  (encorajar fontes renováveis de energia, carros elétricos, bombas de calor), políticas de eficiência energética (diminuir a proporção entre a energia gasta e produzida por eletrodomésticos, veículos, construções) e políticas de mudança comportamental (incentivar as pessoas a consumir e se comportar de maneira mais sustentável, por exemplo, adotando as tecnologias promovidas pelas duas outras estratégias).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As duas primeiras estratégias têm como objetivo tornar os padrões existentes de consumo menos intensivos no uso de recursos somente a partir da inovação técnica. Essas políticas ignoram processos relacionados a mudanças sociais, que talvez expliquem porque elas não tenham gerado uma diminuição na demanda energética ou nas emissões de CO2. &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/01/bedazzled-by-energy-efficiency/&#34;&gt;Avanços na eficiência energética não resultaram em uma menor demanda energética&lt;/a&gt;, porque eles não abarcam novos padrões de consumo que são mais intensivos no uso de recursos e que frequentemente surgem de tecnologias mais energeticamente eficientes. &lt;sup id=&#34;fnref:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da mesma forma, &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2009/11/how-not-to-resolve-the-energy-crisis/&#34;&gt;fontes renováveis de energia não levaram à descarbonização  da infraestrutura energética&lt;/a&gt;, porque a demanda energética (total e &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt;) está aumentando mais rapidamente que fontes renováveis de energia são adicionadas ao sistema. &lt;sup id=&#34;fnref:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Consequentemente, a única forma de reduzir a emissão de gases do efeito estufa é focar mais em mudanças sociais. A eficiência energética e as políticas de descarbonização precisam ser combinadas com “inovação social” se quisermos que o consumo de energia e as emissões de carbono diminuam. Aqui entram as estratégias de mudanças comportamentais. O terceiro pilar da política sobre mudanças climáticas tenta conduzir os comportamentos e escolhas do consumidor a uma direção mais sustentável.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;estratégias-de-mudanças-comportamentais&#34;&gt;Estratégias de mudanças comportamentais&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Instrumentos e conjuntos de políticas projetados para alcançar mudanças comportamentais são bem variados, mas a maioria pode ser classificada como “cenouras, gravetos ou sermões”. &lt;sup id=&#34;fnref:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Podem ser incentivos econômicos (como incentivos para produtos “verdes”, taxas de energia, empréstimos em condições favoráveis), padrões e regulação (como um plano diretor ou padrões de emissão para veículos), ou o fornecimento de informações (contas de luz mais detalhadas, medidores inteligentes, campanhas de conscientização).&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/07/we-can-t-do-it-ourselves/images/dithers/bike-campaign-manchester_dithered.png&#34; alt=&#39;Exemplo de campanha para mudança comportamental.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Exemplo de campanha para mudança comportamental. 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Todos esses instrumentos de políticas são direcionados ao que se considera determinante no comportamento dos indivíduos. &lt;sup id=&#34;fnref:5&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:5&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;5&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;[^6]&lt;sup id=&#34;fnref:6&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:6&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;6&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:7&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:7&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;7&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Eles assumem que ou os indivíduos tomam decisões racionais baseadas em preços e informações (o modelo &lt;em&gt;Homo economicus&lt;/em&gt;), ou que os comportamentos são resultados de crenças, atitudes e valores (vários modelos de valores e crenças). De acordo com essas teorias sociais dominantes, as pessoas agem de forma pró-ambiente por interesse pessoal (porque é agradável ou econômico), ou por razões normativas (porque elas acreditam que é a coisa certa a se fazer).&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Estratégias de mudança comportamental assumem que ou os indivíduos tomam decisões racionais baseadas em preços e informações, ou que os comportamentos são resultados de crenças, atitudes e valores&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;No entanto, muitas ações pró-ambiente envolvem um conflito entre interesses pessoais e razões normativas. O comportamento pró-ambiente é geralmente considerado menos rentável, menos prazeroso, e/ou demorado. Consequentemente, as pessoas precisam fazer esforço para beneficiar o meio ambiente e isso é o motivo, segundo pesquisadores de mudanças comportamentais, de valores e atitudes pró-ambientais não necessariamente ocorrerem juntos no comportamento dos indivíduos – um fenômeno chamado de “lacuna entre valor e ação”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para preencher essa lacuna, são propostas duas estratégias. A primeira é tornar os objetivos normativos mais próximos dos objetivos pessoais, seja diminuindo os custos de ações pró-ambientais, seja por aumentar os custos de ações danosas. A segunda é fortalecer os objetivos normativos, na esperança de que as pessoas irão se comportar de maneira pró-ambiente mesmo que seja mais caro ou difícil. Isso é geralmente feito através das campanhas de conscientização.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;escolha-individual&#34;&gt;Escolha individual&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Contudo, os resultados das políticas de mudança comportamental têm sido decepcionantes até o momento. Duas décadas de campanhas relacionadas à conscientização sobre mudanças climáticas não diminuíram a demanda de energia e as emissões de carbono de maneira significativa. O motivo desse sucesso limitado é que as tentativas de mudança comportamental existentes se baseiam em uma percepção muito limitada do âmbito social. &lt;sup id=&#34;fnref:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Políticas de mudança de comportamento são embasadas na ideia amplamente difundida de que o que as pessoas fazem é, em essência, uma questão de escolha individual. &lt;sup id=&#34;fnref1:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;[^12] Por exemplo, se as pessoas escolhem uma forma de viajar ou outra, é por uma preferência pessoal. &lt;sup id=&#34;fnref2:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Sendo assim, a agência (o poder de mudança) e a responsabilidade sobre a demanda energética, o consumo e as mudanças climáticas são pensadas como algo que ocorre dentro das pessoas, individualmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É esse conceito de escolha que está por trás de estratégias de intervenção (persuasão, precificação, conselhos). Com melhores informações e incentivos, espera-se que indivíduos que se “comportam mal” mudem de ideia e adotem comportamentos pró-ambiente. &lt;sup id=&#34;fnref1:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;O fato de que a maior parte das pessoas comem carne, andam de carro e estão conectadas à rede elétrica não é simplesmente uma questão isolada de escolha. As pessoas estão, frequentemente, presas em modos de vida insustentáveis.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Obviamente, indivíduos fazem escolhas sobre suas ações e algumas delas são baseadas em valores e atitudes. Por exemplo: algumas pessoas não comem carne, enquanto outras não andam de carro e outras vivem inteiramente desconectadas da rede elétrica convencional. No entanto, o fato de que a maior parte das pessoas comem carne, andam de carro e estão conectadas à rede elétrica não é simplesmente uma questão isolada de escolha. Indivíduos não existem num vácuo. O que as pessoas fazem também é condicionado, facilitado e dificultado por normas sociais, instituições políticas, políticas públicas, infraestruturas, tecnologias, mercados e cultura. &lt;sup id=&#34;fnref1:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;[^13][^14]&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;os-limites-da-escolha-individual&#34;&gt;Os limites da escolha individual&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Como indivíduos, podemos ter graus de escolha, mas nossa autonomia é sempre limitada. [^13][^14] Por exemplo: podemos comprar um carro mais energeticamente eficiente, mas não podemos fornecer nossa própria infraestrutura para pedalar, nem fazer motoristas respeitarem ciclistas. Os holandeses e dinamarqueses pedalam muito mais que as pessoas em outros países industrializados, mas não é porque eles são mais ambientalmente conscientes. Na realidade, eles pedalam porque existe uma infraestrutura excelente para ciclovias e bicicletários, porque é socialmente aceitável ser visto de bicicleta, mesmo vestindo roupas de trabalho, e porque motoristas têm habilidades e cultura para lidar com ciclistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Motoristas holandeses são ensinados que, quando saírem do carro, eles devem usar a maçaneta com a mão direita, forçando-os a virar o corpo e ver se há algum ciclista vindo por trás. Além disso, em caso de acidente entre um carro e uma bicicleta, o motorista é sempre considerado responsável, mesmo que o ciclista tenha cometido um erro. Obviamente, uma pessoa no Reino Unido ou nos Estados Unidos pode decidir pedalar sem essa infraestrutura, cultura e suporte legal, mas é menos provável que um grande número de pessoas seguirá seu exemplo.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/07/we-can-t-do-it-ourselves/images/dithers/bicycle-parking_dithered.png&#34; alt=&#39;Bicicletário em Ghent, na Bélgica.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Bicicletário em Ghent, na Bélgica. 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Pessoas em países industrializados estão, normalmente, presas a modos de vida insustentáveis, quer elas gostem ou não. Sem um &lt;em&gt;smartphone&lt;/em&gt; com internet sempre ligada, torna-se cada vez mais difícil participar da sociedade moderna, já que mais e mais atividades cotidianas dependem dessas tecnologias. Uma vez que o &lt;em&gt;smartphone&lt;/em&gt; conectado é estabelecido como uma “necessidade”, uma pessoa ainda pode comprar um dispositivo energeticamente eficiente, mas ela não pode fazer nada sobre o fato de que ele provavelmente vai parar de funcionar em três anos, sem chance de reparo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os indivíduos também não têm o poder de mudar as crescentes taxas de bits na internet, que aumentam sistematicamente o uso de energia nos centros de dados e na infraestrutura da rede, porque os provedores continuam “inovando”. [^15]  Uma pessoa pode tentar consumir o mínimo possível, mas ela não deve esperar muito apoio, já que o sistema econômico dominante requer crescimento para sobreviver.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;culpando-uns-aos-outros&#34;&gt;Culpando uns aos outros&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Em resumo, indivíduos podem fazer escolhas pró-ambiente baseadas em atitudes e valores, e podem inspirar outros a fazerem o mesmo, mas há tantas outras coisas envolvidas que focar em mudar o comportamento individual parece uma simplificação. &lt;sup id=&#34;fnref3:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Tentar persuadir pessoas a viver de maneira sustentável através de programas de mudança de comportamento individual não é uma abordagem capaz de abarcar as estruturas e ideias maiores e mais significativas que facilitam e limitam suas opções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na verdade, ao colocar a responsabilidade – e a culpa – diretamente sobre o indivíduo, a atenção é desviada das muitas instituições envolvidas em estruturar caminhos de ação possíveis, e em tornar uns mais prováveis que outros. &lt;sup id=&#34;fnref2:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; O discurso do “comportamento” sustentável responsabiliza os consumidores coletivamente por decisões políticas e econômicas, mais do que os próprios políticos e atores econômicos.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Ao colocar a responsabilidade – e a culpa – diretamente sobre o indivíduo, a atenção é desviada das muitas instituições envolvidas em estruturar caminhos de ação possíveis.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Isso torna as políticas de “comportamento” pró-ambiental polarizadoras – são os outros (por exemplo: quem come carne ou anda de carro) que estão agindo errado por consumir ou se comportar de acordo com seus valores pessoais, e não os políticos, as instituições e os fornecedores que permitem o desenvolvimento e a prosperidade de sistemas de transporte e alimentação insustentáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como esse exemplo demonstra, o comportamento individual não é um posicionamento teórico, é também um posicionamento político. Focar na responsabilidade individual é um pensamento alinhado ao neoliberalismo e frequentemente serve para suprimir uma crítica sistêmica dos arranjos políticos, econômicos e tecnológicos. &lt;sup id=&#34;fnref4:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref2:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref3:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;além-do-comportamento-individual&#34;&gt;Além do comportamento individual&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Se transformações sociais significativas são necessárias, faz mais sentido descentralizar os indivíduos da análise e olhar para o cenário completo. Outras abordagens na teoria social sugerem que, em vez de ser a expressão de valores e atitudes de uma pessoa, o comportamento individual é, na realidade, a expressão observável do mundo social, incluindo gostos, significados, conhecimento e habilidades compartilhados coletivamente, além de tecnologias, infraestrutura e instituições. Dessa forma, o comportamento individual é apenas a ponta do iceberg e, por isso, os efeitos de intervir no comportamento são limitados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um alvo muito melhor para a sustentabilidade é a estrutura do comportamento socialmente incorporada – a maior parte do iceberg que está debaixo d’água. [^13] Isso pode implicar num foco não só em indivíduos e suas escolhas, mas na organização social das práticas cotidianas como cozinhar, lavar, comprar ou praticar esportes. Como as pessoas realizam essas práticas depende não só de escolhas individuais, mas também do contexto material, social e cultural. &lt;sup id=&#34;fnref3:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; [^13]&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/07/we-can-t-do-it-ourselves/images/dithers/city-bike_dithered.png&#34; alt=&#39;Ilustração por Diego Marmolejo.&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
 Ilustração por [Diego Marmolejo](https://www.behance.net/diegomarmolejo). 
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo: a prática de dirigir carros requer “coisas” (carros, estradas, estacionamento, postos de gasolina, refinarias), competências (habilidade de dirigir, conhecimento sobre regras de trânsito) e significados (ideias de liberdade, dirigir carros é a coisa “normal” a se fazer, não ter um carro significa que você fracassou na vida). Faz pouco sentido tentar convencer as pessoas a dirigirem menos (ou nunca dirigir) quando essas questões sistêmicas são negligenciadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se as práticas sociais são consideradas as unidades centrais da análise, em vez dos indivíduos que as executam, torna-se possível analisar e direcionar a mudança social a um caminho muito mais interessante. &lt;sup id=&#34;fnref4:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;[^13] Ao tirar o foco da escolha individual, torna-se nítido que políticas de mudança de comportamento individual representam apenas mudanças pequenas ou marginais, ao nível de uma prática. Ao mesmo tempo, revela o quanto o estado e outros atores configuram o cotidiano.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Ao tirar o foco da escolha individual, torna-se nítido que políticas de mudança de comportamento individual representam apenas mudanças pequenas ou marginais.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo: a ideia de que um carro significa liberdade pessoal é um tema recorrente nas publicidades sobre carros, que são muito mais numerosas que as campanhas promovendo o ciclismo. E porque diferentes meios de transporte competem pelo mesmo espaço nas ruas, são os governos e as autoridades locais que decidem quais são os meios a priorizar, dependendo das infraestruturas construídas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando o foco está nas práticas, a dita “lacuna entra valor e ação” não pode mais ser interpretada como uma evidência de falhas éticas ou inércia individuais. Mas, sim, como resultado de questões sistêmicas: indivíduos vivem em uma sociedade que torna improváveis muitos arranjos pró-ambientais.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;o-novo-normal&#34;&gt;O novo normal&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Para concluir, mesmo que políticas de mudança comportamental individual procurem lidar com transformações sociais e não só tecnológicas, elas o fazem de maneira bem limitada. Como resultado, elas têm as mesmas falhas que as outras estratégias – que são focadas em eficiência e inovação. &lt;sup id=&#34;fnref1:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Como as políticas de eficiência energética e descarbonização, as de mudança comportamental não questionam convenções sociais ou infraestruturas insustentáveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não consideram mudanças mais amplas, a nível sistêmico, que transformariam radicalmente a forma que vivemos – e que teriam potencial para reduzir, muito mais significativamente, o uso de energia e as emissões de gases do efeito estufa. Por exemplo: reciclar o lixo não questiona a produção de resíduos, e ainda a legitima. Ao desviar a atenção das questões sistêmicas que guiam a demanda de energia, as políticas de mudanças comportamentais frequentemente reforçam o &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;. &lt;sup id=&#34;fnref4:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;[^12][^13]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em contraste com políticas direcionadas a indivíduos, políticas que pensam a sustentabilidade como um desafio sistêmico e institucional podem trazer muitas formas de inovação que são necessárias para lidar com problemas como as mudanças climáticas. Inovações sociais relevantes são aquelas em que as regras do jogo contemporâneo são minadas, em que o &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt; é questionado, e em que  práticas sustentáveis se espalham por todos os domínios da vida cotidiana. &lt;sup id=&#34;fnref5:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Uma abordagem sistêmica da sustentabilidade nos incentiva a imaginar como seria o “novo normal” de uma sustentabilidade cotidiana.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Mudanças sociais significam transformar o que é “normal” – como ambientes sem cigarro ou usar cintos de segurança. Só precisamos olhar para as décadas passadas e ver quais práticas estão mudando constantemente e, muitas vezes, radicalmente. Uma abordagem sistêmica da sustentabilidade nos incentiva a imaginar como seria o “novo normal” de uma sustentabilidade cotidiana. [^13] Uma política de sustentabilidade que foca em questões sistêmicas reformula a questão de “como mudamos os comportamentos dos indivíduos para que sejam mais sustentáveis?” para “como mudamos o jeito que a sociedade funciona?”. Isso leva a intervenções muito diferentes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensar estruturas socio-tecnológicas do “comportamento” envolve tentar criar infraestruturas e instituições que facilitem vidas sustentáveis, tentar mudar convenções culturais que sustentam diferentes atividades e tentar incentivar novas habilidades que são necessárias para fazer as coisas de outras formas. Como resultado dessas mudanças, o que consideramos “comportamentos” individuais também mudará.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ilustrações por &lt;a href=&#34;https://www.behance.net/diegomarmolejo&#34;&gt;Diego Marmolejo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este artigo foi escrito para o UK&amp;rsquo;s &lt;a href=&#34;http://www.demand.ac.uk&#34;&gt;Demand Centre&lt;/a&gt;. Assista a sua &lt;a href=&#34;https://www.youtube.com/watch?v=lzB9TezTDXw&amp;amp;list=PLktCvsz_pqe0Ea4GvgJO1resAr44ei8Z4&#34;&gt;série de filmes sobre a construção e evolução da demanda eneregética&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;footnotes&#34; role=&#34;doc-endnotes&#34;&gt;
&lt;hr&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id=&#34;fn:1&#34;&gt;
&lt;p&gt;Shove, Elizabeth. &amp;ldquo;What is wrong with energy efficiency?.&amp;rdquo; Building Research &amp;amp; Information (2017): 1-11.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:2&#34;&gt;
&lt;p&gt;Labanca, Nicola, and Paolo Bertoldi. &amp;ldquo;Beyond energy efficiency and individual behaviours: policy insights from social practice theories.&amp;rdquo; Energy Policy 115 (2018): 494-502.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:3&#34;&gt;
&lt;p&gt;De Decker, Kris. “How (not) to resolve the energy crisis.” Low-tech Magazine, 2009&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:4&#34;&gt;
&lt;p&gt;Shove, Elizabeth, Mika Pantzar, and Matt Watson. The dynamics of social practice: Everyday life and how it changes. Sage, 2012.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:5&#34;&gt;
&lt;p&gt;Martiskainen, Mari. &amp;ldquo;Affecting consumer behaviour on energy demand.&amp;rdquo; (2007). [^6]: Steg, Linda, et al. &amp;ldquo;An integrated framework for encouraging pro-environmental behaviour: The role of values, situational factors and goals.&amp;rdquo; Journal of Environmental Psychology 38 (2014): 104-115.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:5&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:6&#34;&gt;
&lt;p&gt;Evans, Laurel, et al. &amp;ldquo;Self-interest and pro-environmental behaviour.&amp;rdquo; Nature Climate Change 3.2 (2013): 122.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:6&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:7&#34;&gt;
&lt;p&gt;Turaga, Rama Mohana R., Richard B. Howarth, and Mark E. Borsuk. &amp;ldquo;Pro‐environmental behavior.&amp;rdquo; Annals of the New York Academy of Sciences 1185.1 (2010): 211-224.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:7&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:8&#34;&gt;
&lt;p&gt;Kollmuss, Anja, and Julian Agyeman. &amp;ldquo;Mind the gap: why do people act environmentally and what are the barriers to pro-environmental behavior?.&amp;rdquo; Environmental education research 8.3 (2002): 239-260.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:9&#34;&gt;
&lt;p&gt;Hargreaves, Tom. &amp;ldquo;Practice-ing behaviour change: Applying social practice theory to pro-environmental behaviour change.&amp;rdquo; Journal of consumer culture 11.1 (2011): 79-99.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:10&#34;&gt;
&lt;p&gt;Shove, Elizabeth. &amp;ldquo;Beyond the ABC: climate change policy and theories of social change.&amp;rdquo; Environment and planning A 42.6 (2010): 1273-1285.  [^12]: Southerton, Dale, Andrew McMeekin, and David Evans. International review of behaviour change initiatives: Climate change behaviours research programme. Scottish Government Social Research, 2011.  [^13]: Spurling, Nicola Jane, et al. &amp;ldquo;Interventions in practice: Reframing policy approaches to consumer behaviour.&amp;rdquo; (2013).  [^14]: Mattioli, Giulio. &amp;ldquo;Transport needs in a climate-constrained world. A novel framework to reconcile social and environmental sustainability in transport.&amp;rdquo; Energy Research &amp;amp; Social Science 18 (2016): 118-128.  [^15]: De Decker, Kris. &amp;ldquo;Why we need a speed limit for the Internet.&amp;rdquo; Low Tech Magazine. (2015).&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref5:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;/div&gt;
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    </item>
    
    <item>
      <title>Deslumbrados com a eficiência energética</title>
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      <pubDate>Tue, 09 Jan 2018 00:00:00 +0000</pubDate>
      
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      <description>&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/01/bedazzled-by-energy-efficiency/images/dithers/bedazzled-by-energy-efficiency_dithered.png&#34; alt=&#39;&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Focar na eficiência energética é tornar inegociáveis os modos de vida contemporâneos. Por outro lado, transformar os modos de vida atuais é chave para mitigar as mudanças climáticas e diminuir nossa dependência de combustíveis fósseis.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;políticas-de-eficiência-energética&#34;&gt;Políticas de eficiência energética&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Eficiência energética é um dos pilares das políticas para a redução das emissões de carbono e dependência de combustíveis fósseis no mundo industrializado. A União Europeia (UE) estabeleceu um objetivo de atingir 20% de economia de energia através de melhorias na eficiência energética até 2020, e 30% até 2030. Medidas para alcançar esses objetivos da UE incluem a obrigatoriedade de certificados de eficiência energética para construções, padrões mínimos de eficiência energética para produtos como caldeiras, eletrodomésticos, iluminação e televisores, e padrões de emissão de gases poluentes para carros. &lt;sup id=&#34;fnref:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A UE tem a política de eficiência energética mais progressista do mundo, mas medidas semelhantes estão sendo adotadas por vários países industrializados, incluindo a China. Numa escala global, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirma que “a eficiência energética é a chave para garantir um sistema energético seguro, confiável, acessível e sustentável para o futuro”. &lt;sup id=&#34;fnref:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Em 2011, a organização lançou o &lt;em&gt;Cenário 450&lt;/em&gt;, que objetiva limitar a concentração de CO2 atmosférico a 450 partes por milhão. Melhorias na eficiência energética representam 71% da redução de carbono projetada para 2020, e 48% no período até 2035. &lt;sup id=&#34;fnref1:2&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:2&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;2&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; &lt;sup id=&#34;fnref:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;quais-são-os-resultados&#34;&gt;Quais são os resultados?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Melhorias na eficiência energética realmente levam à economia de energia? À primeira vista, as vantagens da eficiência são impressionantes. Por exemplo: a eficiência energética de uma gama de eletrodomésticos que adotaram as diretrizes da UE melhorou significativamente nos últimos 15 anos. Entre 1998 e 2012, geladeiras e freezers se tornaram 75% mais eficientes, máquinas de lavar 63%, secadoras de roupa 72% e lavadoras de louça 50%. &lt;sup id=&#34;fnref:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, o uso de energia na UE em 2015 foi apenas ligeiramente menor do que em 2000 (1,627 Mtoe comparados a 1,730 Mtoe, ou &lt;em&gt;megatoneladas equivalentes de petróleo&lt;/em&gt;). Além disso, há muitos outros fatores que podem explicar a redução (limitada) no uso de energia, como a crise econômica de 2007. De fato, depois de décadas de crescimento contínuo, o uso de energia na UE decresceu ligeiramente entre 2007 e 2014, para voltar a crescer apenas em 2015 e 2016, com a retomada do crescimento econômico. &lt;sup id=&#34;fnref1:1&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:1&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;1&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A nível global, o uso de energia continua a crescer a uma taxa média de 2,4% ao ano. Isso é o dobro da taxa de crescimento populacional, e cerca de metade da população global tem pouco ou nenhum acesso a fontes modernas de energia. Em países industrializados, o uso de energia &lt;em&gt;per capita&lt;/em&gt; da população dobrou entre 1960 e 2007. &lt;sup id=&#34;fnref:5&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:5&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;5&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;efeitos-rebote&#34;&gt;Efeitos rebote?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Por que os avanços em eficiência energética não resultam na diminuição da demanda por energia? Muitas críticas se concentram nos ditos “efeitos rebote”, que vêm sendo descritos desde o século XIX. &lt;sup id=&#34;fnref:6&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:6&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;6&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; De acordo com o argumento do rebote, as melhorias na eficiência energética incentivam um maior uso dos serviços que a energia ajuda a fornecer. &lt;sup id=&#34;fnref:7&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:7&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;7&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Por exemplo: o avanço da iluminação de estado sólido (LED), que é seis vezes mais eficiente do que as antigas luzes incandescentes, não levou à diminuição da demanda de energia para iluminação. Em vez disso, resultou em seis vezes mais luz. &lt;sup id=&#34;fnref:8&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:8&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;8&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em alguns casos, os efeitos rebote podem ser grandes o suficiente para levar a um aumento geral do uso de energia. &lt;sup id=&#34;fnref1:7&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:7&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;7&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Por exemplo: a maior eficiência de microchips tornou os computadores mais rápidos que, agora, usam mais energia do que gerações anteriores de computadores que tinham chips menos eficientes. O avanço da eficiência energética em uma categoria de produto também pode levar ao aumento do uso de energia em outras categorias de produtos, ou levar à criação de uma categoria de produtos completamente nova.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo: as telas de LED são mais eficientes que as de LCD, e podem reduzir o uso de energia pelas televisões. No entanto, elas também levaram à criação de painéis digitais, que são gigantescos sugadores de energia, apesar de seus componentes energeticamente eficientes. &lt;sup id=&#34;fnref:9&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:9&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;9&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Por fim, o dinheiro economizado nas melhorias de eficiência também pode ser gasto em produtos e serviços que demandam muita energia, o que é uma possibilidade geralmente colocada como um efeito rebote indireto.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;para-além-do-argumento-de-efeitos-rebote&#34;&gt;Para além do argumento de efeitos rebote&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Efeitos rebote são ignorados pela UE e pela AIE, e isso pode explicar parcialmente porque os resultados são muito abaixo das projeções. Entre acadêmicos, a magnitude dos efeitos rebote é uma discussão acalorada. Enquanto alguns argumentam que “os efeitos rebote frequentemente compensam ou mesmo eliminam a economia de energia de melhorias na eficiência” &lt;sup id=&#34;fnref1:3&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:3&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;3&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;, outros dizem que os efeitos rebote se “transformaram em uma distração”, porque são relativamente pequenos: “respostas comportamentais removem 5-30% da  economia de energia esperada, chegando a não mais do que 60% quando combinadas com efeitos macroeconômicos – a eficiência energética economiza energia, sim”. &lt;sup id=&#34;fnref:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aqueles que minimizam efeitos rebote atribuem a falta de resultados ao fato de que não tentamos o suficiente: “muitas oportunidades de melhorar a eficiência energética ainda são perdidas”. &lt;sup id=&#34;fnref1:10&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:10&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;10&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Outros são movidos pela melhoria nas políticas de eficiência energética. Uma resposta sugere que os referenciais sejam expandidos e que analistas considerem a eficiência não de produtos individuais, mas de sistemas ou sociedades inteiras. Nesse ponto de vista, a eficiência energética não está sendo tratada de maneira holística o suficiente, nem contextualizada o suficiente. &lt;sup id=&#34;fnref:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; &lt;sup id=&#34;fnref:12&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:12&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;12&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, alguns críticos dão um passo além. Na sua visão, as políticas de eficiência energética não podem ser fixas. O problema com a eficiência energética, segundo eles, é que ela estabelece e reproduz modos de vida que não são sustentáveis a longo prazo. &lt;sup id=&#34;fnref1:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;sup id=&#34;fnref:13&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:13&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;13&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;um-universo-paralelo&#34;&gt;Um universo paralelo&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Efeitos rebote são normalmente apresentados como consequências “não intencionais”, mas eles são o resultado lógico da abstração que é necessária para definir e medir a eficiência energética. Segundo Loren Lutzenhiser, pesquisadora na Universidade Estadual de Portland, nos EUA, políticas de eficiência energética são tão abstratas da dinâmica diária de uso de energia que elas operam em um “universo paralelo”. &lt;sup id=&#34;fnref1:13&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:13&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;13&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Em um artigo mais recente, &lt;a href=&#34;http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09613218.2017.1361746&#34;&gt;&lt;em&gt;O que há de errado com a eficiência energética? (What is wrong with energy efficiency?)&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, a pesquisadora britânica Elizabeth Shove revela esse “universo paralelo”, concluindo que políticas de eficiência são “contraproducentes” e “parte do problema”. &lt;sup id=&#34;fnref2:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;De acordo com alguns críticos, políticas de eficiência são “contraproducentes” e “parte do problema”.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Para começar, o universo paralelo da eficiência energética interpreta a “economia de energia” de forma peculiar. Quando a UE declara que atingirá 20% de “economia de energia” até 2020, a “economia de energia” não é definida como uma redução real do consumo de energia em comparação com o presente ou com números históricos. De fato, uma definição como essa demonstraria que a eficiência energética não reduz em nada o uso de energia. Em vez disso, a “economia de energia” é definida como reduções comparadas às projeções de uso de energia em 2020. Essas reduções são medidas pela quantificação de “energia evitada” – os recursos energéticos não utilizados por causa de avanços na eficiência energética.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mesmo que a “economia de energia” projetada seja totalmente alcançada, ela não resulta em redução absoluta da demanda por energia. A UE argumenta que avanços na eficiência energética serão “aproximadamente equivalentes a desativar 400 centrais elétricas” mas, na realidade, nenhuma central elétrica será desativada em 2020 por conta de avanços na eficiência energética. O raciocínio é que a Europa teria que construir 400 centrais elétricas a  mais, não fosse o aumento da eficiência energética.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por essa abordagem, a UE trata a eficiência energética como um combustível, “uma fonte de energia por si só”. &lt;sup id=&#34;fnref:14&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:14&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;14&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; A AIE vai ainda mais longe quando alega que “a energia evitada pelos países membros da AIE em 2010 (resultado de investimentos no período de 1974 a 2010), foi maior que a demanda por qualquer outro recurso ofertado, incluindo petróleo, gás, carvão e eletricidade”, assim tornando a eficiência energética “o maior ou primeiro combustível”. &lt;sup id=&#34;fnref:15&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:15&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;15&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; &lt;sup id=&#34;fnref3:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;medindo-algo-que-não-existe&#34;&gt;Medindo algo que não existe&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Tratar a eficiência energética como um combustível e medir seu sucesso em termos de “energia evitada” é bem estranho. Primeiro porque isso é baseado no &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; uso de um combustível que &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; existe. &lt;sup id=&#34;fnref2:13&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:13&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;13&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Depois, porque quanto maior a projeção sobre o uso de energia em 2030, maior seria a “energia evitada”. Por outro lado, se a projeção sobre o uso de energia em 2030 fosse menor que o uso atual (uma redução na demanda por energia), a “energia evitada” se tornaria negativa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma política energética que busca reduzir a emissão de gases do efeito estufa e a dependência de combustíveis fósseis deve medir seu sucesso em termos de redução no consumo de combustíveis fósseis. &lt;sup id=&#34;fnref:16&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:16&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;16&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; No entanto, ao medir “energia evitada”, a política de eficiência energética faz exatamente o contrário. Como as projeções do uso de energia são mais altas que o uso atual de energia, a política de eficiência energética assume que o consumo total de energia continuará a crescer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O outro pilar da política sobre mudanças climáticas – a descarbonização do fornecimento de energia através do incentivo ao uso das usinas de energias renováveis – sofre de defeitos semelhantes. Como o aumento na demanda total de energia supera o crescimento da energia renovável, usinas de energia solar e eólica &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2009/11/how-not-to-resolve-the-energy-crisis/&#34;&gt;não estão, de fato, descarbonizando o fornecimento de energia&lt;/a&gt;. Elas não estão substituindo usinas de combustíveis fósseis, mas estão ajudando a acomodar uma demanda sempre crescente por energia. Só introduzindo o conceito de “emissões evitadas” é que as energias renováveis podem ser apresentadas como tendo algum efeito desejado. &lt;sup id=&#34;fnref:17&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:17&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;17&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;o-quê-é-eficiente&#34;&gt;O quê é eficiente?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Em “&lt;em&gt;O que há de errado com a eficiência energética? (What is wrong with energy efficiency?)&lt;/em&gt;”, Elizabeth Shove demonstra que o conceito de eficiência energética é tão abstrato quanto o conceito de “energia evitada”. A eficiência é sobre entregar mais serviços (aquecimento, iluminação, transporte etc.) pela mesma quantidade de energia consumida, ou os mesmos serviços por uma quantidade menor de energia consumida. Consequentemente, um primeiro passo para identificar melhorias depende em especificar “serviço” (o quê é eficiente?) e em quantificar a energia envolvida (como sabemos quanto é “menos energia”?). Definir uma referência a partir da qual a “economia de energia” é medida também envolve especificar limites temporais (onde a eficiência começa e termina?). &lt;sup id=&#34;fnref4:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O argumento principal de Shove é que determinar limites temporais (onde a eficiência começa e termina?) automaticamente especifica o “serviço” (o quê é eficiente?) e vice-versa. Isso porque a eficiência energética só pode ser definida e medida se for baseada numa equivalência de serviço. Shove foca em aquecimento doméstico, mas seu pensamento é válido para qualquer outra tecnologia. Por exemplo: em 1985, um avião comercial médio usava 8l de combustível para transportar um passageiro por 100km, um número que caiu para 3,7l atualmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Consequentemente, nos é dito que aviões se tornaram duas vezes mais eficientes. No entanto, se fizermos uma comparação entre o combustível usado entre hoje e 1950, e não 1985, aviões não usam nem um pouco menos de energia. Na década de 1960, &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2010/09/piston-powered-aircraft-from-the-1950s-were-as-fuel-efficient-as-the-current-average-jet/&#34;&gt;os aviões a hélice&lt;/a&gt; foram substituídos por aviões a jato, que são duas vezes mais rápidos mas, inicialmente, consumiam duas vezes mais combustível. Somente 50 anos depois o avião a jato se tornou tão “energeticamente eficiente” quanto os últimos aviões a hélice dos anos 1950. &lt;sup id=&#34;fnref:18&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:18&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;18&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Se visto num contexto histórico mais amplo, o conceito de eficiência energética se desintegra por completo.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;O que é um intervalo significativo para comparar eficiências? Os aviões a hélice deveriam ser levados em consideração ou deveriam ser ignorados? A resposta depende da definição de serviço equivalente. Se o serviço é definido como “voar”, então os aviões a hélice deveriam ser incluídos. Mas se o serviço é definido como “voar a uma velocidade de aproximadamente 1000km/h”, podemos descartar as hélices e focar em motores a jato. No entanto, a segunda definição assume um serviço mais intensivo no uso de energia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se formos ainda mais longe no tempo, por exemplo, no início do século XX, as pessoas simplesmente não voavam, então não faz sentido comparar o uso de combustível por passageiro por quilômetro. Observações similares podem ser feitas sobre muitas outras tecnologias ou serviços que se tornaram “mais eficientes”. Se eles são vistos num contexto histórico mais amplo, o conceito de eficiência energética se desintegra por completo, porque os serviços não são equivalentes de forma alguma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muitas vezes, não é necessário voltar tanto no tempo para provar isso. Quando se calcula a eficiência energética de &lt;em&gt;smartphones&lt;/em&gt;, por exemplo, as gerações mais antigas de celulares (não-&lt;em&gt;smartphones&lt;/em&gt;), que demandavam muito menos energia, não são levadas em conta, mesmo que fossem comuns há menos de uma década.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;quão-eficiente-é-um-varal&#34;&gt;Quão eficiente é um varal?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Por causa da necessidade de comparar “igual com igual” e estabelecer equivalências de serviço, as políticas de eficiência energética ignoram muitas alternativas de baixa demanda energética que frequentemente têm uma longa história mas ainda são relevantes no contexto das mudanças climáticas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo: a UE calculou que os selos de energia para secadoras de roupa serão capazes de “economizar até 3,3 Twh de eletricidade em 2020, o equivalente ao consumo anual de energia em Malta”. &lt;sup id=&#34;fnref:19&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:19&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;19&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;. Mas quanta energia poderia ser economizada se, em 2020, todos os Europeus usassem um varal em vez de uma secadora de roupas? Não pergunte à UE, porque ela não calculou a quantidade de energia evitada por varais.&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;article-img &#34;&gt;
&lt;figure data-imgstate=&#34;dither&#34;&gt;
&lt;img src=&#34;https://qelnixcor.cloud/pt/2018/01/bedazzled-by-energy-efficiency/images/dithers/bedazzled-by-energy-efficiency-2_dithered.png&#34; alt=&#39;&#39; loading=&#34;lazy&#34;/&gt;&lt;/figure&gt;
&lt;figcaption class=&#34;caption&#34;&gt;
&lt;/figcaption&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;Nem a UE, nem a AIE calcularam a eficiência energética e a energia evitada por bicicletas, &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2011/02/insulation-first-the-body-then-the-home/&#34;&gt;furadeiras manuais&lt;/a&gt;. Ainda assim, se varais fossem levados a sério como uma alternativa, então a “economia” projetada de energia de 3,3 Twh pelo uso de secadoras mais eficientes não pode mais ser considerada “energia evitada” e muito menos um combustível. Da mesma forma, bicicletas e roupas minam a própria ideia de calcular a “energia evitada” de carros e sistemas de aquecimento central mais eficientes.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;conceitos-insustentáveis-de-serviços&#34;&gt;Conceitos insustentáveis de serviços&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;O problema das políticas de eficiência energética é, então, que elas são muito efetivas em reproduzir e estabilizar conceitos de serviço que são essencialmente insustentáveis. &lt;sup id=&#34;fnref5:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Medir a eficiência de carros e secadoras de roupas, mas não de bicicletas e varais, torna inegociáveis as formas mais rápidas – e consumidoras de energia – de viajar e secar roupas, e marginaliza alternativas muito mais sustentáveis. Segundo Shove:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;““Programas de eficiência energética são politicamente incontroversos precisamente porque assumem as atuais interpretações de serviço… A busca irrefletida pela eficiência é problemática não porque não funciona ou porque os benefícios são absorvidos, como os efeitos rebote sugerem, mas porque funciona – através do conceito necessário de equivalência de serviços – para sustentar, e talvez aumentar, mas nunca minar… modos de vida cada vez mais intensivos no uso de energia.” &lt;sup id=&#34;fnref6:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De fato, o conceito de eficiência energética facilmente acomoda o crescimento dos serviços de energia. Todas as novidades podem estar sujeitas a uma abordagem de eficiência. Por exemplo: se aquecedores externos e chuveiros de chuva se tornarem “normais”, eles podem ser incorporados a uma política de eficiência energética existente – e quando isso ocorrer, o problema do seu consumo de energia será considerado sob controle. Ao mesmo tempo, definir, medir e comparar a eficiência de aquecedores externos e chuveiros de chuva ajuda a torná-los mais “normais”. Como um bônus, acrescentar novos produtos a essa mistura só irá aumentar a quantidade de energia que é “evitada” através da eficiência energética.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Resumindo, nem a UE, nem a AIE apreendem a “energia evitada” que é gerada por fazer as coisas de forma diferente, ou por não fazê-las – enquanto estas possivelmente têm o maior potencial de reduzir a demanda energética. &lt;sup id=&#34;fnref7:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Desde o início da revolução industrial, houve uma expansão massiva do uso de energia e da transferência da força humana para formas mecânicas de força. Mas mesmo que essas tendências estejam incitando o contínuo  aumento da demanda energética, elas não podem ser medidas pelo conceito da eficiência energética.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como demonstra Shove, esse problema não pode ser resolvido, porque a eficiência energética só pode ser medida em termos de serviços equivalentes. Ela argumenta, por sua vez, que o desafio é “debater e expandir os significados de serviço e explicitamente se comprometer com a forma com que estes evoluem”. &lt;sup id=&#34;fnref8:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;rumo-a-uma-política-de-ineficiência-energética&#34;&gt;Rumo a uma política de ineficiência energética?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Há várias formas de fugir do universo paralelo da eficiência energética. Primeiro, enquanto a eficiência energética atrapalha a redução significativa de demanda energética a longo prazo através da necessidade de equivalência de serviços, o contrário é verdadeiro – tornar tudo menos energeticamente eficiente reverteria o crescimento dos serviços de energia e reduziria a demanda por energia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por exemplo: se instalássemos os antigos motores a combustão dos anos 1960 em carros utilitários modernos, o consumo de combustível por quilômetro rodado seria muito maior do que hoje. Poucas pessoas seriam capazes ou estariam dispostas a bancar um carro assim, e não teriam escolha, se não trocar por um carro muito menor, mais leve e menos potente, ou dirigir menos.&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Tornar tudo menos energeticamente eficiente reverteria o crescimento dos serviços de energia e reduziria a demanda por energia.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;Da mesma forma, se uma “política de ineficiência energética” determinasse o uso de aquecedores centrais ineficientes, aquecer casas grandes nos parâmetros de conforto de hoje seria inacessível para a maior parte das pessoas. Elas seriam forçadas a encontrar &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2015/02/restoring-the-old-way-of-warming-heating-people-not-places/&#34;&gt;soluções alternativas para alcançar conforto térmico&lt;/a&gt;, como aquecer apenas um quarto, vestir roupas mais quentes, usar dispositivos de aquecimento individual ou se mudar para uma casa menor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pesquisas recentes sobre o aquecimento de construções confirmam que a ineficiência pode economizar energia. Um estudo alemão examinou a performance energética calculada de 3,400 casas e comparou os números com o consumo real medido. &lt;sup id=&#34;fnref:20&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:20&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;20&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Alinhados ao argumento do efeito rebote, os pesquisadores constataram que os moradores de casas mais eficientes (75kWh/m²/ano) usam, em média, 30% mais energia do que o calculado. Por outro lado, nas casas menos eficientes, o efeito oposto – “pré-rebote” – foi observado: pessoas usam menos energia do que os modelos calcularam, e quanto mais ineficiente a casa, maior essa diferença. Nas casas mais ineficientes (500kWh/m²/ano), o uso de energia foi 60% abaixo do previsto.&lt;/p&gt;
&lt;h2 id=&#34;de-eficiência-para-suficiência&#34;&gt;De eficiência para suficiência?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Contudo, mesmo que abandonar – ou reverter – as políticas de eficiência energética provavelmente trouxesse mais economia de energia do que continuá-la, há outra opção que  é mais atraente e poderia trazer ainda mais economia. Para uma abordagem efetiva, a eficiência pode ser complementada por ou, talvez, entrelaçada com uma estratégia de “suficiência”. A eficiência energética tem como objetivo aumentar a razão entre a potência do serviço e o consumo de energia mantendo essa potência pelo menos constante. A suficiência, por outro lado, é uma estratégia que objetiva a redução do crescimento dos serviços de energia. &lt;sup id=&#34;fnref1:4&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:4&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;4&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Em essência, seria um retorno às políticas de “conservação” dos anos 1970. &lt;sup id=&#34;fnref3:13&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:13&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;13&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A suficiência pode envolver a redução dos serviços (menos iluminação, menos viagens, menos velocidade, temperaturas mais baixas, casas menores), ou a substituição de serviços (uma bicicleta em vez de um carro, um varal em vez de uma secadora, roupas térmicas em vez de aquecimento central). Diferente da eficiência energética, os objetivos de suficiência dessa política não podem ser expressos em variáveis relativas (como kWh/m²/ano). Em vez disso, o foco é nas variáveis absolutas, como a redução das emissões de carbono, uso de combustíveis fósseis ou importação de petróleo. &lt;sup id=&#34;fnref1:16&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:16&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;16&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Diferente da eficiência energética, a suficiência não pode ser definida e medida pela análise de um tipo de produto individualmente, porque a suficiência pode envolver várias formas de substituição. &lt;sup id=&#34;fnref:21&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:21&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;21&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; Em vez disso, a política de suficiência é definida e medida através do que as pessoas realmente fazem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um política de suficiência poderia ser desenvolvida sem uma política paralela de eficiência, mas combiná-las poderia trazer mais economia. O passo chave aqui é pensar a eficiência energética como um meio e não como um fim em si mesma, diz Shove. &lt;sup id=&#34;fnref9:11&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:11&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;11&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; F Por exemplo: imagine quanta energia seria economizada se usássemos um aquecedor eficiente para aquecer apenas um quarto a 16 graus, se instalássemos um &lt;a href=&#34;https://qelnixcor.cloud/2008/06/the-citroen-2cv-cleantech-from-the-1940s/&#34;&gt;motor eficiente em um carro muito mais leve&lt;/a&gt;, ou se combinássemos um chuveiro eficiente com banhos curtos. Mesmo que a eficiência energética seja considerada uma estratégia ganha-ganha, desenvolver o conceito de suficiência como uma força significativa é fazer julgamentos normativos: esse tanto de consumo é suficiente, esse tanto é muito. &lt;sup id=&#34;fnref:22&#34;&gt;&lt;a href=&#34;#fn:22&#34; class=&#34;footnote-ref&#34; role=&#34;doc-noteref&#34;&gt;22&lt;/a&gt;&lt;/sup&gt; sso é obviamente controverso, e corre o risco de ser tornar autoritário, pelo menos enquanto houver fornecimento barato de combustíveis fósseis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ilustrações por &lt;a href=&#34;https://www.behance.net/diegomarmolejo&#34;&gt;Diego Marmolejo&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class=&#34;footnotes&#34; role=&#34;doc-endnotes&#34;&gt;
&lt;hr&gt;
&lt;ol&gt;
&lt;li id=&#34;fn:1&#34;&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Energy Efficiency&amp;rdquo;, European Commission. &lt;a href=&#34;https://ec.europa.eu/energy/en/topics/energy-efficiency&#34;&gt;https://ec.europa.eu/energy/en/topics/energy-efficiency&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:1&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:2&#34;&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Energy Efficiency&amp;rdquo;, International Energy Association (IEA). &lt;a href=&#34;https://www.iea.org/topics/energyefficiency/&#34;&gt;https://www.iea.org/topics/energyefficiency/&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:2&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:3&#34;&gt;
&lt;p&gt;Sorrell, Steve. &amp;ldquo;Reducing energy demand: A review of issues, challenges and approaches.&amp;rdquo; Renewable and Sustainable Energy Reviews 47 (2015): 74-82. &lt;a href=&#34;http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364032115001471&#34;&gt;http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1364032115001471&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:3&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:4&#34;&gt;
&lt;p&gt;Brischke, Lars-Arvid, et al. Energy sufficiency in private households enabled by adequate appliances. Wuppertal Institut für Klima, Umwelt, Energie, 2015. &lt;a href=&#34;https://epub.wupperinst.org/frontdoor/deliver/index/docId/5932/file/5932_Brischke.pdf&#34;&gt;https://epub.wupperinst.org/frontdoor/deliver/index/docId/5932/file/5932_Brischke.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:4&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:5&#34;&gt;
&lt;p&gt;&amp;ldquo;Energy use (kg of oil equivalent per capita)&amp;rdquo;, World Bank, 2014. &lt;a href=&#34;https://data.worldbank.org/indicator/EG.USE.PCAP.KG.OE&#34;&gt;https://data.worldbank.org/indicator/EG.USE.PCAP.KG.OE&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:5&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:6&#34;&gt;
&lt;p&gt;Alcott, Blake. &amp;ldquo;Jevons&amp;rsquo; paradox.&amp;rdquo; Ecological economics 54.1 (2005): 9-21. &lt;a href=&#34;https://pdfs.semanticscholar.org/f247/b8fae38e0c46bb9d1020b0be0d589db28446.pdf&#34;&gt;https://pdfs.semanticscholar.org/f247/b8fae38e0c46bb9d1020b0be0d589db28446.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:6&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:7&#34;&gt;
&lt;p&gt;Sorrell, Steve. &amp;ldquo;The Rebound Effect: an assessment of the evidence for economy-wide energy savings from improved energy efficiency.&amp;rdquo; (2007). &lt;a href=&#34;http://ukerc.rl.ac.uk/UCAT/PUBLICATIONS/The_Rebound_Effect_An_Assessment_of_the_Evidence_for_Economy-wide_Energy_Savings_from_Improved_Energy_Efficiency.pdf&#34;&gt;http://ukerc.rl.ac.uk/UCAT/PUBLICATIONS/The_Rebound_Effect_An_Assessment_of_the_Evidence_for_Economy-wide_Energy_Savings_from_Improved_Energy_Efficiency.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:7&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:7&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:8&#34;&gt;
&lt;p&gt;Kyba, Christopher CM, et al. &amp;ldquo;Artificially lit surface of Earth at night increasing in radiance and extent.&amp;rdquo; Science advances 3.11 (2017): e1701528. &lt;a href=&#34;http://advances.sciencemag.org/content/3/11/e1701528.full?intcmp=trendmd-adv;&#34;&gt;http://advances.sciencemag.org/content/3/11/e1701528.full?intcmp=trendmd-adv;&lt;/a&gt; Tsao, Jeffrey Y., et al. &amp;ldquo;Solid-state lighting: an energy-economics perspective.&amp;rdquo; Journal of Physics D: Applied Physics 43.35 (2010): 354001. &lt;a href=&#34;http://siteresources.worldbank.org/INTEAER/Resources/Sao.Simmons.pdf&#34;&gt;http://siteresources.worldbank.org/INTEAER/Resources/Sao.Simmons.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:8&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:9&#34;&gt;
&lt;p&gt;Young, Gregory. &amp;ldquo;Illuminating the Issues.&amp;rdquo; (2013). &lt;a href=&#34;http://www.scenic.org/storage/documents/Digital_Signage_Final_Dec_14_2010.pdf&#34;&gt;http://www.scenic.org/storage/documents/Digital_Signage_Final_Dec_14_2010.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:9&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:10&#34;&gt;
&lt;p&gt;Gillingham, Kenneth, et al. &amp;ldquo;Energy policy: The rebound effect is overplayed.&amp;rdquo; Nature 493.7433 (2013): 475-476. &lt;a href=&#34;http://environment.yale.edu/kotchen/pubs/rebound.pdf&#34;&gt;http://environment.yale.edu/kotchen/pubs/rebound.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:10&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:11&#34;&gt;
&lt;p&gt;Shove, Elizabeth. &amp;ldquo;What is wrong with energy efficiency?.&amp;rdquo; Building Research &amp;amp; Information (2017): 1-11. &lt;a href=&#34;http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09613218.2017.1361746&#34;&gt;http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09613218.2017.1361746&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref4:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref5:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref6:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref7:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref8:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref9:11&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:12&#34;&gt;
&lt;p&gt;Calwell, Is efficient sufficient? Report for the European Council for an Energy Efficient Economy. &lt;a href=&#34;http://www.eceee.org/static/media/uploads/site-2/policy-areas/sufficiency/eceee_Progressive_Efficiency.pdf&#34;&gt;http://www.eceee.org/static/media/uploads/site-2/policy-areas/sufficiency/eceee_Progressive_Efficiency.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:12&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:13&#34;&gt;
&lt;p&gt;Lutzenhiser, Loren. &amp;ldquo;Through the energy efficiency looking glass.&amp;rdquo; Energy Research &amp;amp; Social Science 1 (2014): 141-151. &lt;a href=&#34;http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214629614000255&#34;&gt;http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214629614000255&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:13&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:13&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref2:13&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref3:13&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:14&#34;&gt;
&lt;p&gt;Good Practice in Energy Efficiency: for a sustainable, safer and more competitive Europe. European Commission, 2017.&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:14&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:15&#34;&gt;
&lt;p&gt;Capturing the Multiple Benefits of Energy Efficiency. IEA, 2014. &lt;a href=&#34;https://www.iea.org/Textbase/npsum/MultipleBenefits2014SUM.pdf&#34;&gt;https://www.iea.org/Textbase/npsum/MultipleBenefits2014SUM.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:15&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:16&#34;&gt;
&lt;p&gt;Harris, Jeffrey, et al. &amp;ldquo;Towards a sustainable energy balance: progressive efficiency and the return of energy conservation.&amp;rdquo; Energy efficiency 1.3 (2008): 175-188. &lt;a href=&#34;https://pubarchive.lbl.gov/islandora/object/ir%3A150324/datastream/PDF/view&#34;&gt;https://pubarchive.lbl.gov/islandora/object/ir%3A150324/datastream/PDF/view&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:16&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref1:16&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:17&#34;&gt;
&lt;p&gt;How (not) to resolve the energy crisis, Low-tech Magazine, Kris De Decker, 2009. https://qelnixcor.cloud/2009/11/how-not-to-resolve-the-energy-crisis/&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:17&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:18&#34;&gt;
&lt;p&gt;Peeters, Paul, J. Middel, and A. Hoolhorst. &amp;ldquo;Fuel efficiency of commercial aircraft.&amp;rdquo; An overview of historical and future trends (2005). &lt;a href=&#34;https://www.transportenvironment.org/publications/fuel-efficiency-commercial-aircraft-overview-historical-and-future-trends&#34;&gt;https://www.transportenvironment.org/publications/fuel-efficiency-commercial-aircraft-overview-historical-and-future-trends&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:18&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:19&#34;&gt;
&lt;p&gt;Household Tumble Driers, European Commission. &lt;a href=&#34;https://ec.europa.eu/energy/en/topics/energy-efficiency/energy-efficient-products/household-tumble-driers&#34;&gt;https://ec.europa.eu/energy/en/topics/energy-efficiency/energy-efficient-products/household-tumble-driers&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:19&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:20&#34;&gt;
&lt;p&gt;Sunikka-Blank, Minna, and Ray Galvin. &amp;ldquo;Introducing the prebound effect: the gap between performance and actual energy consumption.&amp;rdquo; Building Research &amp;amp; Information 40.3 (2012): 260-273. &lt;a href=&#34;http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09613218.2012.690952&#34;&gt;http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/09613218.2012.690952&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:20&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:21&#34;&gt;
&lt;p&gt;Thomas, Stefan, et al. Energy sufficiency policy: an evolution of energy efficiency policy or radically new approaches?. Wuppertal Institut für Klima, Umwelt, Energie, 2015. &lt;a href=&#34;https://epub.wupperinst.org/frontdoor/deliver/index/docId/5922/file/5922_Thomas.pdf&#34;&gt;https://epub.wupperinst.org/frontdoor/deliver/index/docId/5922/file/5922_Thomas.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:21&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;li id=&#34;fn:22&#34;&gt;
&lt;p&gt;Darby, Sarah. &amp;ldquo;Enough is as good as a feast–sufficiency as policy.&amp;rdquo; Proceedings, European Council for an Energy-Efficient Economy. La Colle sur Loup, 2007. &lt;a href=&#34;https://pdfs.semanticscholar.org/8e68/c68ace130104ef6fc0f736339ff34b253509.pdf&#34;&gt;https://pdfs.semanticscholar.org/8e68/c68ace130104ef6fc0f736339ff34b253509.pdf&lt;/a&gt;&amp;#160;&lt;a href=&#34;#fnref:22&#34; class=&#34;footnote-backref&#34; role=&#34;doc-backlink&#34;&gt;&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
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